Quinta-feira o projeto de lei será apresentado ao Parlamento. Bispos pedem para evitar confundir “uniões de fato” com “casamento e família”

 

27 janeiro 2016 – O projeto de lei sobre uniões homossexuais e a possibilidade destes casais adotarem crianças entra em debate na quinta-feira (28) no Parlamento da Itália. A Igreja no país reiterou sua oposição, pedindo para evitar a confusão entre o que é família e o que é união de fato.

O presidente da Conferência Episcopal Italiana, Angelo Bagnasco, reiterou nesta segunda-feira na sessão de abertura dos trabalhos bispos, que “as crianças têm direito a crescer com um pai e uma mãe”, que “não são um direito” e o bem das crianças “deve prevalecer sobre qualquer outra coisa, porque eles são os mais fracos e indefesos”. Ele também observou que “a família é um fato antropológico, não ideológico”. O cardeal pediu respeito pelos diferentes estilos de vida, mas que não fosse confundido união civil com família.

A Itália é um dos países europeus que não tem legislação sobre o tema e o debate sobre “uniões civis” para homossexuais e adoção ainda é controverso.

O projeto de lei promovido pelo governo do primeiro-ministro Matteo Renzi, do Partido Democrata, evita o termo “casamento” e exclui que um casal homossexual adote uma criança, a menos que um dos dois seja o pai ou a mãe natural. O primeiro-ministro diz que a lei deve ser votada e não pode ser adiada sempre, como vem acontecendo. A postura de Renzi provocou o protesto dos setores mais radicais do partido que por sua vez também são favoráveis à adoção de crianças por casais do mesmo sexo.

No último sábado, as associações pro-gay percorreram várias praças da Itália, carregando relógios despertadores, sob o slogan ‘Acorda Itália’. No próximo sábado será a vez do “Family day” com grandes manifestações pró-família.