Francisco presidiu à Missa do X Encontro Mundial das Famílias, celebrada pelo prefeito do Dicastério para os Leigos Família e Vida, que anunciou o Jubileu das Famílias, em 2025, em Roma, e o XI Encontro Mundial das Famílias, em 2028

Foto Ricardo perna/Família Cristã

Cidade do Vaticano, 25 jun 2022 (Ecclesia) – O Papa Francisco afirmou hoje na homilia da Missa do X Encontro Mundial das Famílias que “é preciso coragem para se casar” e desafiou a rejeitar o “caminho mais fácil” diante das dificuldades.

“Vemos muitos jovens que não têm a coragem de se casar, e muitas vezes acontece uma mãe vir dizer-me: ‘Faça qualquer coisa, converse com o meu filho, que não se casa; tem 37 anos!’ – ‘Mas, senhora, deixe de lhe passar a ferro as camisas, comece a senhora a mandá-lo sair um pouco, que saia do ninho’”, indicou o Papa na Praça de São Pedro diante de casais de mais de 120 países.

O Papa lembrou que o “amor familiar impulsiona os filhos a voar, não é possessivo, mas sempre de liberdade”.

“E nos momentos difíceis, de crise, que todas as famílias atravessam, por favor não enveredem pelo caminho fácil de voltar para casa da mãe. Não! Avancem… Sigam em frente”, afirmou Francisco.

A Missa foi celebrada pelo prefeito do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, Cardeal Ferrell e marcou o encerramento do congresso teológico-pastoral do X Encontro Mundial das Famílias, sobre o tema “O amor familiar: vocação e caminho de santidade”, que o Papa apresentou como uma “viagem”.

Ao acolher a vocação para o matrimónio e a família, deixastes o vosso ‘ninho’ e começastes uma viagem, da qual não podíeis conhecer de antemão todas as etapas, e que vos mantém em constante movimento, com situações sempre novas, factos inesperados, surpresas, algumas surpresas dolorosas. Assim é o caminho com o Senhor: dinâmico, imprevisível mas sempre uma maravilhosa descoberta”.

Na homilia da Missa, Francisco referiu-se à liberdade e disse que os esposos fizeram a “corajosa opção” de não usar a liberdade “para proveito próprio, mas para amar as pessoas que Deus colocou junto” de cada um.

“Em vez de viver como ‘ilhas’, fizestes-vos ‘servos uns dos outros’. Assim se vive a liberdade em família! Não há ‘planetas’ ou ‘satélites’, movendo-se cada qual na sua própria órbita. A família é o lugar do encontro, da partilha, da saída de si mesmo para acolher o outro e estar junto dele. É o primeiro lugar onde se aprende a amar”, afirmou.

O Papa aludiu também ao medo que torna os pais “ansiosos” ou “super-protetores” por temerem que que os filhos não consigam orientar-se no meio da complexidade e confusão” das sociedades”.

“Não é preservar os filhos do mínimo incómodo e sofrimento, mas procurar transmitir-lhes a paixão pela vida, acender neles o desejo de encontrar a sua vocação e abraçar a missão grande que Deus pensou para eles”, afirmou.

No fim da celebração, o cardeal Ferrell agradeceu ao Papa a proximidade aos temas da família e anunciou que o próximo encontro de Francisco com as famílias vai ser no “Jubileu das Famílias”, em 2025, em Roma, e depois o XI Encontro Mundial das Famílias, que terá lugar em 2028.

A Eucaristia terminou com o envio missionário das famílias, pelo Papa Francisco, que será repetido na oração do ângelus dominical.

PR