D. António Marto critica tendência dos media para mostrarem «sempre as feridas e chagas» da sociedade

 

Leiria, 19 mai 2015 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima defende a necessidade de apostar mais na divulgação daquilo que a família tem de “bom e de belo”, sabendo que “não há” projetos “perfeitos” e que se trata de uma caminhada a construir “a cada dia”.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, D. António Marto lamentou o facto dos “meios de comunicação por vezes só darem os aspetos negativos que acontecem” ou mostrarem “a família como um problema, como uma instituição em crise”.

Na sua análise, o prelado recordou casos como o do adolescente recentemente agredido numa escola da Figueira da Foz, que apesar de serem graves devem ser vistos como situações “pontuais” e não podem ser extrapolados “quase como se todos os alunos fossem violentos”.

Para o responsável católico, a família é sobretudo “um recurso, um projeto, uma promessa, um programa de vida”.

“Então em vez de estarmos sempre a mostrar as feridas e chagas temos de mostrar o positivo, motivar as pessoas por aquilo que de bom, de belo existe na vida familiar, sabendo que nela também experimentamos os limites, as imperfeições, as fragilidades”, complementou.

No último domingo, a Diocese de Leiria-Fátima encerrou com a Festa das Famílias, na Marinha Grande, um biénio “dedicado ao matrimónio como beleza e missão”.

Ao Parque da Cerca acorreram centenas de famílias, entre as quais milhares de crianças e adolescentes, acompanhadas dos seus pais e avós.

De acordo com D. António Marto, a iniciativa procurou sobretudo “levantar o ânimo e a esperança” numa época muito marcada pela “perda da esperança”.

É nessa conjuntura que a Igreja Católica, os seus bispos e sacerdotes, têm a responsabilidade de dizer “que vale a pena apostar e construir este projeto de família, com a graça de Deus”.

“Há um afeto muito grande entre o povo e o bispo, mas esperam que ele lhes leve a luz neste momento que vivemos de confusão e que se reflete nas famílias, que lhes leve uma luz para poderem por exemplo exercer a sua missão educativa e para que os filhos recebam também uma orientação e não vivam perdidos e dispersos neste mundo”, realça o prelado.

As pessoas buscam também alento “para que dentro da família se viva melhor e de uma maneira mais forte os laços de afeto, de comunhão entre todos, no respeito pela diferença”, acrescentou.

Ao longo desse dia, o bispo de Leiria-Fátima andou junto dos mais novos e participou nos seus jogos e ateliers, que convidavam precisamente “a descobrir a beleza das famílias”.

“Queria saber como é que era, de maneira que vesti um avental, entrei no jogo e achei muito interessante, muito engraçado como os adolescentes aprendem a descobrir a riqueza da família, não é por grandes discursos”, salientou D. António Marto.

Agência Ecclesia