MADRI, 04 Nov. 16 / 09:00 am (ACI).- Em maio de 2016 ele foi ordenado sacerdote, mas antes de chegar à paróquia de Santa Maria de Mataró, em Barcelona (Espanha), passou pelos times da primeira divisão no seu país, na Bélgica e pela Olímpiada de Londres 2012, além da segurança de um futuro promissor no hóquei sobre grama.

 

Entretanto, Pe. Carlos Ballbé decidiu deixar tudo para se unir à equipe de Deus: “se todo mundo trabalhasse a alma como Cristiano Ronaldo trabalha o corpo, seríamos melhores. Cada jogador tem a sua vida e com certeza foi difícil”, afirmou em uma entrevista ao jornal ‘Mundo Deportivo’.

“Tinha tudo, mas me faltava algo, uma peça na minha vida para dizer que era completamente feliz”. Depois de uma viagem à Medjugorje (Bósnia) – lugar para o qual o Vaticano criou uma comissão para investigar as supostas aparições da Virgem Maria – o Pe. Ballbé descobriu que seu “caminho passa pelo sacerdócio”.

Comunicou-se com seus amigos por e-mail. “Enviei chorando, tinha medo da reação pois podiam ficar zangados comigo”. E algumas pessoas disseram que “estava jogando sua vida fora”.

Como estava tentando discernir a sua vocação, não participou da Olimpíada de Pequim 2008, apesar de ter sido convocado. Por isso, deixou a seleção espanhola de hóquei sobre grama e seu clube, o Atlètic Terrassa, mesmo não estando “seguro se acertaria, embora soubesse que deveria dar um passo atrás e me esclarecer”.

Então, começou a estudar no seminário de Barcelona. Mas deixar uma vocação esportiva tão forte não é fácil, por isso, no seminário, permitiram-lhe terminar a sua etapa como esportista de elite e participar da Olimpíada de Londres 2012.

Segundo ‘Mundo Deportivo’, o Pe. Ballbé assinalou que “no verão de 2011 havia deixado tudo para trás, mas havia algo dentro de mim que me dizia que ainda não podia fazer isto”.

“Foi durante uma viagem à Madri, quando o Papa visitou à capital e estive com companheiros do seminário. Ao regressar, paramos em um posto de gasolina onde sempre parávamos com o clube quando íamos à Madri, e recordei a última vez que voltávamos depois de vencer uma Liga. Neste momento tive muitas lembranças”.

Na seleção, animaram-no a treinar e, no seminário, concederam-lhe uma “permissão” para realizar o seu sonho.

Agora, deixou o hóquei de lado, mas a mentalidade esportiva continua presente tanto em sua vida como em suas homilias. “Trabalhar em equipe; em uma comunidade você é o capitão, mas trabalha em uma equipe. Também apendi que qualquer pessoa tem algo para nos ensinar”, declarou ao jornal.

“Os valores do esporte e da igreja são parecidos. Vejo o sacerdote como um capitão e Deus como um treinador”, declarou o Pe. Ballbé ao jornal esportivo ’As’.

De fato, ele deseja que os valores do esporte ajudem as crianças que sofrem de exclusão social, por isso um dos seus projetos é formar uma escola de futebol.

“Por ser um esportista melhor do que outros, acredita-se que seja uma pessoa melhor. Para mim, Iniesta é um grande jogador, é exemplar e gostaria de ser como ele se fosse jogador de futebol, mas não é melhor do que um bom pai que faz bem o seu trabalho; outros não são tão exemplares”., assegura na entrevista.

“As pessoas idolatram coisas que não tocam. Acreditam que um esportista é uma pessoa boa”, declarou ao jornal ‘As’, onde também afirmou que “se todo mundo trabalhasse a alma como Cristiano Ronaldo trabalha o corpo, seríamos melhores. Cada jogador tem a sua vida e com certeza foi difícil”.

Nesta nova vida, o Pe. Ballbé assegura que muitas pessoas pensam que “ser padre é inato e que sou um santo desde pequeno. Os padres também choram e precisam de ajuda. Somos pessoas normais”.

Recorda que a educação em valores que o esporte oferece também ajuda a dominar o caráter, algo que era muito difícil para ele. “Eu não tinha todos os valores de fair play. Em uma partida, tinha que contar muitas vezes até 10; foi difícil domesticar o meu caráter e agora ainda é difícil”.