ROMA, 07 Abr. 16 / 07:00 pm (ACI).- O último missionário que entrou no Japão se chamava Gianni Battista Sidotti (ou Sidoti), foi um sacerdote de Sicília (Itália) e ingressou no país asiático quando já tinham fechado as suas portas aos estrangeiros e o catolicismo foi proibido. O Pe. Sidotti não voltou para a Europa. Embora seus restos mortais tenham sido achados há dois anos, recentemente foi confirmada sua autenticidade pelas autoridades japonesas.

 

Por isso, no ano em que o Papa Francisco aprovou a beatificação do “Samurai de Cristo” Justo Takayama, o descobrimento dos restos do “último missionário do país” tem um valor ainda mais simbólico.

Não se saberia nada sobre o Pe. Sidotti se não fosse por um manuscrito que falava sobre ele, encontrado há 150 anos aproximadamente. Este documento foi escrito pelo conselheiro do shogun, Arai Hakuseki, que o interrogou.

O sacerdote nasceu em 1688 e logo depois de ouvir os relatos do martírio dos cristãos no Japão, pediu ao Papa Clemente XI para ser enviado ao país como missionário. A permissão foi concedida.

Primeiro chegou a Manila (Filipinas), onde esperou um navio que o levou ao Japão. Teve êxito em 1708 e chegou em Yakushima vestido como um samurai. Mas foi descoberto porque tinha características físicas de um europeu. Em seguida, foi capturado, levado a Nagasaki e depois a Edo, onde foi interrogado precisamente por Arai Hakuseki.

Hakuseki estimava o missionário e estava impressionado pela sua cultura. Por volta daquela época, ocorreu o sakoku, ou seja, o fechamento do país aos estrangeiros. Portanto, era a primeira vez que havia um intercâmbio livre de ideias entre dois pensadores que vinham de mundos diferentes. As fronteiras do Japão foram abertas somente em 1854, com a chegada do comodoro Perry e seus “navios negros”.

O Pe. Sidotti falou a Hakuseki do cristianismo e explicou que os missionários não eram a vanguarda de exércitos de outros países e, portanto, não foram conquistar o Japão. Foi um encontro revelador para Hakuseki, que decidiu que os estrangeiros não fossem condenados imediatamente à morte, mas fossem primeiro isolados a fim de observar se constituíam um perigo.

Entretanto, o Pe. Sidotti foi preso, jogado em um poço e logo morreu junto a dois recém-casados que se converteram ao cristianismo. Seus ossos foram encontrados há dois anos, durante a construção de um edifício.

Frei Mario Tarcisio Canducci, missionário francês de 82 anos que vive há alguns anos no Japão, onde está perfeitamente integrado à comunidade, relatou à Rádio Vaticano que desde quando começaram os trabalhos, “logo encontraram três tumbas e os ossos. Então, chamaram a polícia, conforme pede a lei japonesa”.

Disse que quando soube, foi ao local, mas uma hora antes já haviam levado os ossos. A enorme porta estava aberta. “Fui com a irmã Saito, também franciscana de 92 anos, e com uma senhora da paróquia de Santo Antonio em Tóquio, de onde sou”, relatou.

Era proibido entrar ali, mas conseguiu entrar e quando viram os três buracos exclamou: “Minha mãe, esta é a tumba de Sidotti!”. A mais profunda era a do missionário, pois era um homem alto.

“Quando vi a tumba disse ‘rezemos porque esta é a tumba onde foi sepultado o Pe. Sidotti’, e rezamos juntos. Comecei a difundir a notícia para chamar a atenção das pessoas. Estou contente porque em 1700 todos foram embora… Não havia mais do que um sacerdote no Japão! Não havia um sacerdote! Ele era o único, um italiano de Palermo, algo incrível!”, exclamou.