REDAÇÃO CENTRAL, 24 Abr. 17 / 10:30 am (ACI).- O genocídio armênio foi o assassinato de mais de um milhão e meio de cristãos armênios por parte do Império Turco Otomano, entre 1915 e 1923. Hoje, 24 de abril, recordam-se os 102 anos do início deste massacre.

 

No dia 24 de abril de 1915, as autoridades otomanas prenderam 235 membros da comunidade de armênios em Istambul. Nos dias seguintes, a cifra de detidos subiu para 600.

Posteriormente, o governo ordenou a expulsão de toda a população armênia, que teve que caminhar centenas de quilômetros pelo deserto, enfrentando fome, sede, perdas de vidas humanas, roubos, violações por parte dos guardas muçulmanos que deviam protege-los, muitas vezes somado a grupos de assassinos e ladrões.

No domingo 12 de abril o Papa Francisco recordou com milhares de fiéis os cem anos deste genocídio.

“No século passado, a família humana sofreu várias tragédias sem precedentes. A primeira, considerada como o primeiro genocídio do século XX, golpeou o povo armênio –a primeira nação cristã do mundo–, junto aos sírios católicos e ortodoxos, os assírios, os caldeus e os gregos. Foram assassinados bispos, sacerdotes, religiosos, mulheres, homens, idosos e até mesmo crianças e doentes indefesos”, expressou.

“Hoje recordamos com o coração cheio de dor, mas também de esperança, o centenário daquele trágico evento, daquele atroz e desatinado extermínio que seus antepassados sofreram cruelmente”, É necessário recordá-los, porque onde se perde a memória quer dizer que o mal ainda mantém a ferida aberta; esconder ou negar o mal é como deixar que uma ferida siga sangrando sem ser cicatrizada”, acrescentou o Papa.

Naquele mesmo dia, a Turquia convocou o Núncio Apostólico no país, Dom Antonio Lucibello, para esclarecer as palavras do Papa. Dois dias depois, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan atacou o Pontífice e o acusou de ter tirado os acontecimentos do seu “contexto”. “Eu condeno o Papa e o aconselho a não cometer erros como este novamente”, expressou.

Entretanto, no dia 15 de abril, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde elogiava o discurso do Pontífice e conclamava a Turquia a reconhecer que os fatos ocorridos entre 1915 e 1917 constituíram um “genocídio”.

No dia seguinte, a Rádio Vaticano publicou a declaração do porta-voz, Pe. Federico Lombardi, o qual explicou que as palavras do Papa Francisco “se encaixam nas palavras utilizadas por João Paulo II”. “O que disse o Papa me parece claro como o sol. Usou o termo ‘genocídio’, dando continuidade ao uso já utilizado da definição desta palavra”, assinalou.

Por sua vez, a Igreja Apostólica Armênia (cristãos não católicos), declarou “mártires” no 23 de abril de 2015 os 1,5 milhões de vítimas, no marco das comemorações pelos cem anos do início do holocausto.

Em 9 de abril de 2016, a Sala de Imprensa da Santa Sé informou que o Sumo Pontífice realizaria uma viagem apostólica à Armênia de 24 a 26 de junho.