O sorriso que acompanha o presente, agrada mais do que o presente  

 

Pe. Andrea Panont | 14 de Dezembro | ZENIT.org | Análise | Roma

Se não há amor, mesmo por meio de um presente pode-se trair e matar. Judas deu a Jesus o melhor presente: um beijo. Resultou-se num “presente mortal” porque não foi dado de coração. “E quem não ama – diz um provérbio – mente sempre”.

Mesmo na minha experiência – e repetia muitas vezes a minha avó – “O sorriso que acompanha o presente, agrada mais do que o presente”.

Durante a guerra na Croácia, há uma década, entre os vários episódios, mais ou menos cruéis, eu me lembro de um fato estranho, no limite do absurdo.

Havia populações inteiras que vagavam de um lugar para outro tentando escapar do bombardeio, para encontrar um pouco de comida e aliviar as terríveis dores da fome.

Centenas e centenas de pessoas fugindo, sempre sitiadas pelo exército, que não permitia que a comida chegasse por terra…

Era, pois, urgente o socorro a partir do céu. Aeronaves amigas passavam carregadas de pacotes de presente. Voando, tinham que deixar os pacotes caírem, atentos para mirar o campo dos famintos e evitar que caíssem no território inimigo.

Certa vez, um jornal relatou a seguinte notícia: “Presentes mortais” e subtítulo: “socorristas lançam pacotes de alimentos no campo de refugiados. Um pacote cai sobre algumas pessoas, matando duas”.

O absurdo incidente movimentou todo o aparato das organizações humanitárias, “Como? Um presente que tira a vida; um socorro que mata?”. Começaram a rever a situação, a estudar a forma mais eficaz e mais justa para enviar comida. É óbvio que o presente deve ser feito com a maior precisão, para salvar e não para prejudicar, e muito menos matar aqueles que precisam da ajuda.

Eu encontrei nisso uma oportunidade para refletir sobre a minha maneira de ajudar o próximo. O pedaço de pão que eu dou a quem me pede pode saciá-lo, mas talvez tire a sua dignidade.

Quem recebe qualquer ajuda – no hospital, na rua, em casa, no trabalho, na escola etc. – Antes de receber, olha para o seu rosto, sente o seu coração, avalia o amor que acompanha o presente.

Até breve, Pe. Andrea.