Em Henan, um pastor foi condenado a 12 anos de prisão apesar de ter construído a sua igreja com todas as autorizações

 

Continua na China a campanha para eliminar as cruzes das igrejas, iniciada em Zhejiang e estendida para outras regiões do país. Segundo a Associação China Aid, até o final de novembro foram destruídas 426 cruzes só em Zhejiang. O número leva em conta só as igrejas protestantes. É preciso acrescentar ainda a destruição nas igrejas católicas.

A campanha contra as cruzes e templos cristãos foi lançada ao início do ano, quando Xia Baolong, secretário do partido em Zhejiang, declarou que “o horizonte de Wenzhou”, uma das cidades da província, “tem cruzes demais”. Os fiéis consideram que o partido quer reduzir o impacto e a influência da comunidade cristã na sociedade chinesa, que vem experimentando um aumento das conversões ao cristianismo.

Em 2013 foi divulgado um plano para que a região de Zhejiang adquira grande projeção econômica até o ano de 2020, o que tem levado o governo provincial a “embelezar” a região mediante a eliminação das “estruturas ilegais”.

O governo provincial afirma que as demolições atingem todas as comunidades e lugares privados indistintamente, mas é notável que a campanha afeta principalmente os lugares cristãos, incluindo os que foram construídos com toda a documentação necessária e com a aprovação do governo.

A campanha já se estendeu a outras regiões, como Shandong, Anhui e Henan. Nesta última província, foi destruída em 18 de dezembro a cruz da igreja de Nanle. O edifício, construído com todas as autorizações, está no centro de uma disputa com as autoridades locais, que se apoderaram da propriedade da igreja e condenaram seu pastor, Zhang Shaojie, a 12 anos de prisão.

O Departamento de Assuntos Religiosos também bloqueou cerca 1 milhão de reais da conta bancária da comunidade. Trata-se de donativos que os fiéis fizeram ao longo dos últimos anos para a construção de novos edifícios religiosos.

Nos últimos meses, o bispo oficial de Wenzhou e os sacerdotes da diocese têm apelado ao governo para parar as demolições e a destruição das cruzes, medida que aumenta a instabilidade social na China.

Roma, 24 de Dezembro de 2014 (Zenit.org