O presidente da Conferência Episcopal Espanhola chama à luta contra este “pecado que clama ao céu” e que “é uma fraude contra os outros”

Madrid, 14 de Maio de 2015 (ZENIT.org)

O arcebispo de Valladolid e presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), o cardeal Ricardo Blázquez, fez um chamamento nesta quarta-feira “a lutar contra a corrupção, venha ela de onde vier”. O purpurado afirmou que “a corrupção é uma chaga infecta na sociedade, é um pecado que clama ao céu, é uma fraude contra os outros” e declarou que “é necessário que aqueles que pegaram o que não lhes pertence, defraudando, abusando da sua posição, agindo como cúmplices, devolvam o que pegaram”.

“Como cidadãos de uma sociedade que amamos, temos de ser moralmente responsáveis nas convicções internas e nas ações externas, vigiando os nossos comportamentos e velando por todos, particularmente pelos mais vulneráveis”.

No Índice de Percepção da Corrupção 2014, composto por uma lista de 175 países, os menos corruptos são a Dinamarca e a Nova Zelândia, com 92 e 91 pontos respectivamente. Os últimos do ranking são a Somália e a Coreia do Norte, com 8 pontos cada.

Na América, destaque negativo para Venezuela e Haiti, que, com 19 pontos cada um, estão entre os 10 países com os setores públicos mais corruptos de todo o mundo, junto com Iêmen, Angola e Guiné-Bissau. Eles são superados apenas pelo Iraque, Afeganistão e Sudão, além dos já citados “campeões” Somália e Coreia do Norte.

O presidente da CEE se mostrou compreensivo quanto à “irritação dos mais pobres quando se observa o enriquecimento tão injusto de outros”, mas considera que “a sociedade não é corrompida em si mesma, como demonstra a generalizada reação contrária à corrupção”.

Para o cardeal Blázquez, a sociedade “precisa de renovação moral e ativação das suas defesas” através da “exemplaridade de pessoas e fatos”. A este respeito, ele recorda que “há muita gente admirável pela sua competência, integridade ética e dedicação profissional à sociedade”.

“Às vezes, a corrupção é mais extensa e outras vezes é mais concentrada”, mas é sempre necessário “agir com transparência e honra” para conseguir “o alimento diário, a roupa, a casa e o trabalho para viver com dignidade”.

O purpurado pediu a promoção especialmente do emprego estável, a fim de se ter “dinheiro para viver”, mas “não para torná-lo um deus nem para tributar a ele um culto de idolatria”, que leva muitos a “sucumbirem à avareza”.

Blázquez também fez referência ao espírito de sacrifício, destacando a figura de São Pedro Regalado, “pobre por amor a Jesus Cristo e por escolha espiritual”. A ele, o cardeal pediu que “nos ensine a reconhecer Deus como nosso Senhor, a compartilhar os bens com os necessitados e a manter o coração livre diante das tentações do presente e do futuro”.