2015-12-02 Rádio Vaticana – Paris (RV) – Nosso prazo expirou. O planeta está mal e a pagar o preço de inundações, desertificação e mudanças climáticas são os mais pobres e os povos mais vulneráveis. Chegou a hora de agir. Com esta mensagem, o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Rede Eclesial Pan-amazônica, foi a Paris, aonde estão reunidos Chefes de Estado e representantes de governos do mundo inteiro, na COP21 – a Conferência sobre o Clima.

 

Até o dia 11 de dezembro, eles têm a missão de planejar um programa que contenha o aumento da temperatura, que está ameaçando nossa saúde, nossa economia, nossa sobrevivência. O desafio é enorme, porque já estamos atrasados, mas como diz o Papa, “ainda há tempo”. 

Na capital francesa, junto a líderes sociais e religiosos, Dom Cláudio entregou às autoridades das Nações Unidas e do Governo francês mais de um milhão e 800 mil assinaturas de pessoas todo o mundo recolhidas pelo Movimento Católico pelo Clima (MCGC) pedindo justiça e decisões em favor da humanidade e da Criação. Ouça o cardeal, clicando aqui:

“Foi um momento em que se mostrou a grande participação do mundo, hoje, da sociedade que está se movimentando nestes dias. Mais uma vez como o mundo está preocupado e ao mesmo tempo, esperançoso, que os nossos governantes tenham a vontade política de assumir esta responsabilidade, que não será fácil, claro, de tomar um novo caminho para podermos vencer esta crise do clima. É preciso reduzir as emissões de carbono, diminuir e aos poucos eliminar a utilização de combustíveis fósseis; todos nós sabemos como isto é difícil, pois  grande parte do mundo a continua produzindo e faz disto a sua riqueza, suas possibilidades de desenvolvi-mento. Como conseguir que realmente se comece um processo de diminuir o uso de combustíveis fósseis para passar para outras energias alternativas. Sabemos que este é um processo que deve ser começado. O Papa já disse, agora, em Bangui, que é preciso agir agora ou nunca mais, porque o mundo está à beira de um suicídio. Então é preciso agir, por mais que isto custe e transformar um sistema econômico produtivo baseado neste tipo de energia e combustíveis fósseis, que é, senão a principal, uma das principais causas das mudanças climáticas, que estão havendo e que estão destruindo o planeta”. 

“É claro que tudo isso não se resume apenas nos combustíveis fósseis, muitas outras coisas são necessárias: um crescimento menos voraz e menos destrutivo do planeta, menos consumista, com menos desperdício de alimentos, de energias, de água… enfim, há tantas coisas que devem ser abordadas, como a questão de como reciclar lixo, como tratá-lo, para não deixar para o futuro – como diz o Papa – um planeta que na verdade acaba sendo uma lixeira nuclear, industrial, doméstica, de lixo de tantas origens. Tudo isto faz parte deste grande empenho que o mundo terá que assumir para poder vencer esta crise climática e a crise ecológica”. 

Dom Cláudio Hummes tem esperanças concretas de que a Conferência obtenha um Acordo vinculante a respeito das emissões de gás carbônico. Nos últimos anos, o acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera tem aumentado de forma acelerada e hoje, a aposta em Paris é fechar um Acordo que limite a emissões de gases do efeito estufa. Segundo a Presidente do Brasil, Dilma Roussef, o país vai fazer a sua parte: 

“Quero anunciar que será de 37% até 2025 a contribuição do Brasil para a redução da emissão de gases de efeito estufa. Para 2030, nossa ambição é chegar a uma redução de 43%”.

(CM)

(from Vatican Radio)