Proposta que será votada na Câmara dos Comuns do Reino Unido em 11 de setembro permite que adultos com doenças terminais acabem com suas vidas sob assistência médica

Roma, 20 de Julho de 2015 (ZENIT.org)

Dia 11 de setembro, na Câmara dos Comuns do Reino Unido, haverá o debate e a votação do projeto de lei sobre o suicídio assistido apresentado por Rob Marris. Contra a legislação proposta – que visa tornar possível aos adultos com doenças terminais optar por terminar suas vidas com atendimento médico específico – alertam os bispos ingleses sobre a possibilidade implícita na legislação dos médicos injetarem drogas letais em pacientes terminais, levando-os ao suicídio.

“Este é um debate extremamente importante. As informações e explicações sobre este assunto devem ser difundidas por todas as paróquias do país”, escreve Dom Peter Smith, arcebispo de Southwark e responsável pelo Departamento de Responsabilidade Cristã e Cidadania da Conferência Episcopal Inglês.

O bispo – conforme relatado pela Rádio Vaticano – exorta os católicos “com urgência” a entrar em contato com os parlamentares para expressar sua preocupação sobre “o perigoso impacto que uma lei como essa poderia ter sobre os mais vulneráveis”. “Os políticos – acrescenta Smith – devem ouvir os seus eleitores”, porque “o que precisam são mais e melhores cuidados paliativos, não o suicídio assistido”.

Por isso, a Conferência Episcopal Inglesa criou um site que explica, em detalhes, a proposta e suas trágicas consequências. “A vida de cada pessoa é sempre digna de respeito e proteção”, disse o bispo, também na dor, no sofrimento ou na solidão, todo ser humano merece “atenção e apoio, e não o suicídio assistido”.

Citando a mensagem do Papa Francisco por ocasião da Jornada pela Vida 2013, os bispos ingleses destacam que “mesmo os mais fracos e mais vulneráveis, os doentes, os idosos, os nascituros e os pobres são obras-primas da criação de Deus, feitos à sua imagem, destinados a viver para sempre, e merecedores da maior reverência e respeito. Por isso, “a Igreja ensina que a vida é um dom de Deus e apoia uma assistência de alta qualidade aos moribundos e proteção para os mais fracos e vulneráveis”.

Quanto ao parecer dos médicos, os bispos britânicos recordam que “a Associação Médica Britânica e a Medical Royal Colleges se opõem fortemente à legalização do suicídio assistido” porque viola “os princípios fundamentais da ética médica profissional”.

Analisando os países onde o suicídio assistido foi legalizado, como a Holanda e alguns estados dos Estados Unidos, os bispos britânicos mostram que os limites impostos pela lei são cada vez mais ignorados: “Por exemplo, algumas leis tentam limitar o acesso ao suicídio assistido para doentes terminais com um prognóstico específico. Mas o prognóstico de uma doença terminal é repleta de dificuldades: os doentes terminais muitas vezes vivem muito mais tempo do que o esperado e diagnosticar a depressão clínica não é tão fácil”.