Professor do Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos explica que o objetivo dos radicais é criar divisão

 

Roma, 15 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Redacao

“Condenar a violência é um dever moral; especialmente, condenar a violência cometida em nome do islã e, portanto, por pessoas que pretendem ser mais muçulmanas do que os outros. Por isso, para defender os princípios islâmicos, para evitar a confusão entre o terrorismo e o islã, o dever dos líderes religiosos, dos eruditos muçulmanos, é denunciar e explicar a verdadeira mensagem do islã”.

As afirmações são de Adnane Mokrani, teólogo muçulmano, professor na Pontifícia Universidade Gregoriana e no Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos (PISAI). Ele comenta o convite do papa Francisco aos líderes religiosos, políticos e intelectuais muçulmanos a condenar toda interpretação fundamentalista e extremista da religião e toda tentativa de justificar com essas interpretações os atos de violência e de terror.

Em declarações à Rádio Vaticano, Mokrani destacou que “a condenação não é suficiente, porque a denúncia pode ser ocasional: precisamos de um programa de educação, de um esforço contínuo para chegar até os jovens, até os grupos sociais mais afastados, que sofrem um risco maior de ser contaminados por este vírus do fundamentalismo. Assim poderemos evitar e intervir rápido, antes que seja pior”.

“O fundamentalismo religioso rejeita Deus”, disse o Santo Padre, “relegando-o a mero pretexto ideológico”. O teólogo muçulmano concorda, “porque o exclusivismo radical do extremismo religioso não só rejeita o outro humano, o outro religioso, como também se apresenta como um juiz que julga no lugar de Deus. E só Deus sabe o que há no coração dos homens e só Deus pode julgar a nossa fé e as nossas intenções. Declarar-se juiz das almas é uma blasfêmia, é um ato antirreligioso e anti-islâmico”.

Como presidente do Centro Inter-Religioso para a Paz, Adnane Mokrani argumenta que demonizar os muçulmanos e a sua religião ajuda os terroristas. “O objetivo dos terroristas é criar divisão, uma polarização entre os dois campos opostos. Não podemos cair nesta armadilha, porque os muçulmanos na Europa são cidadãos, fazem parte desta sociedade como imigrantes e também como cidadãos. São seres humanos, têm seus direitos e por isso nós temos que deixar de fora as emoções, a reação emocional, e raciocinar para não fazer o que os terroristas querem: dividir e semear o ódio”, enfatizou.

“Assim”, concluiu o professor, “corremos o risco de perder a alma e, se perdermos os nossos valores universais, baseados na igualdade, na dignidade humana, na liberdade, reagindo mal à provocação do terrorismo, significa que corremos o risco de perder a guerra contra o terror”.