Na sua base estão atores «com grande poder político e financeiro» que se regem por uma «agenda extremamente secular», diz Marguerite Peeters

 

Lisboa, 13 nov 2015 (Ecclesia) – Marguerite Peeters, consultora do Vaticano para as áreas dos Leigos e da Cultura, diz que existe hoje uma estratégia de ataque à família, promovida por atores “com grande poder político e financeiro que puxam os cordelinhos da liderança global”.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, a especialista em Diálogo Intercultural, que há mais de 20 anos monitoriza a atividade das Nações Unidas, fala num “sistema corrompido” cujas decisões são determinadas por “parceiros de uma agenda extremamente secular”.

A responsável diz que o que está em causa é uma nova ética, pós-cristã, que vai contra os valores que a Igreja Católica defende para a família, e que se expressa na atuação de organizações não estatais que gozam hoje de grande influência no plano internacional.

Organizações como a Federação Internacional do Planeamento Familiar, na área do planeamento familiar, da contraceção, do aborto; corporações ligadas à indústria farmacêutica, que tem procurado “abrir o mercado de contracetivos em África e em outros países em desenvolvimento”.

“Se nós atentarmos à agenda desta nova ética, que propõe por exemplo a saúde reprodutiva, o acesso universal aos métodos contracetivos, o chamado aborto seguro, seguro para a mulher mas não para o bebé, são todo um tipo de questões que desconstroem a família, a moralidade, a cultura, a fé”, realça Marguerite Peeters.

Para a consultora da Santa Sé, o que realmente deveria ser salvaguardado “é o desenvolvimento integral das pessoas, o que não está a acontecer porque existem outros interesses que se sobrepõem e que são ideológicos”.

“Nós tivemos agora o Sínodo dos Bispos dedicado à Família e não é segredo nenhum para ninguém que as famílias estão envoltas numa crise muito séria, não apenas por causa dos números de divórcios mas pelos jovens que já não casam, pelos novos estilos de vida que temos, a agenda gay, por conceitos como a igualdade de género”, acrescenta.

Marguerite Peeters considera esta questão ainda mais “dramática” quando o que se está a verificar é que “se estão a exportar estilos de vida ocidentais para sociedades que ainda valorizam a família”.

Para a investigadora belga, a Igreja Católica tem um duro trabalho pela frente, no “apoio e proteção” às famílias católicas.

“É essencial que as crianças possam crescer num ambiente cristão forte, e depois temos o desafio dos jovens, que já vêm de famílias desfeitas e que não têm uma base de fé sólida, portanto, há um trabalho de misericórdia mas também de evangelização desses jovens e de tentar reforçar esta ligação entre a felicidade e o compromisso”, complementa a consultora do Vaticano.

Marguerite Peeters lançou recentemente, a propósito destas questões, uma obra intitulada “A Globalização da Revolução Cultural Ocidental”, já à venda em Portugal.

Agência Ecclesia