Entrevista a Massimo e Patrizia, casal do Caminho Neocatecumenal, há 11 anos em missão na Holanda, pais de 12 filhos, entre os quais Davide: com 4 meses, o mais jovem ‘Padre sinodal da história’

Roma, 13 de Outubro de 2015 (ZENIT.org) – Desde o dia em que a foto do seu lindo rostinho, chupeta na boca e olhar assustado na Sala do Sínodo, apareceu na mídia do mundo inteiro, ele se tornou a estrela da assembleia sinodal de 2015: Davide Paloni, 4 meses, rebatizado o ‘Padre sinodal mais jovem da história’. Logo a atenção mundial se concentrou sobre seus pais: papai Massimo e mamãe Patrizia fotografada no Vaticano com carrinho e mamadeira.

Sobre eles, muito se escreveu na primeira semana do Sínodo: os 12 filhos (seis homens e seis mulheres: “Davide empatou o placar”); a partida para a Holanda, 11 anos atrás; a experiência de família missionária do caminho Neocatecumenal, em Maastricht. Contudo, só encontrando pessoalmente esses dois jovens pais de Roma – ele com 45 anos, ela com 41, podemos compreender realmente como é uma pessoa que saboreou o amor de Deus em sua vida.

Dá para perceber no modo sereno de falar e de relacionar-se com os outros. Na tranquilidade da mãe Patrizia enquanto toma conta do pequeno recém-nascido (durante toda a entrevista não parou de balançar Davide, que chorava) e, a distância, dos demais 11 filhos que ficaram na Holanda: ”Ajudam-se mutuamente – diz – os mais velhos acompanham os mais novos, os ajudam nas tarefas escolares.  Há uma grande harmonia e também uma grande alegria.” Mas sobretudo impressiona a alegria que brota dos olhos de Massimo quando conta que a escolha – para todos absurda – de abandonar sua vida agitada, seu trabalho de gerente, a fim de mudar-se para um país estrangeiro e anunciar o Evangelho, chegando a trabalhar até como faxineiro para sobreviver, preencheu a sua vida e a de toda a sua família.

“A nossa experiência de missão brota da gratidão ao Senhor por tudo aquilo que realizou em nossas vidas. Deus veio em nosso auxílio nos momentos difíceis da nossa vida e do nosso casamento…”, explica a Zenit. Massimo, filho de missionários – diga-se de passagem, sempre na Holanda – oriunda da paróquia de São Luís Gonzaga, dos Parioli, bairro nobre de Roma, já estava acostumado à missão.

Para os filhos, inicialmente, a “aterrissagem” foi mais difícil. “Partimos quando ainda eram pequenos. Cinco nasceram em Roma, os demais em Maastricht”. No entanto, diz o chefe de família, “foi belo, porque também nas primeiras dificuldades, como aprender o idioma, integrar-se na escola, na sociedade etc., entenderam que havia um sentido na missão que estávamos vivendo, que não estávamos sofrendo em vão e que existia um bem maior”.

A esses filhos – o mais velho com 19 anos, e os demais com idades diferentes, Massimo e Patrizia transmitem a fé: “Juntos, rezamos as Laudes no domingo de manhã, quando, à luz da Palavra de Deus, temos um diálogo com eles, para compreender se há problemas, crises, para pedir-nos perdão e reconciliar-nos: os pais com os filhos, e os filhos entre eles. É também uma oportunidade para passar a nossa experiência”.

Essa experiência, Massimo compartilha-a um pouco também conosco. “Trabalhava como gerente da Hewlett-Packard. Tinha carro, computador, smartphone da firma, viajávamos para assistir a jogos esportivos internacionais, todas ‘coisinhas muito lindas’… No dia anterior à nossa partida, devolvi tudo. Depois, “ao chegar à Holanda, pensei: ‘logo encontrarei um trabalho, tenho um bom currículo, falo tantas línguas’. Deus, porém, mostrou-nos que é Ele quem leva adiante a missão, conforme o tempo dele e do jeito dele. Pois, no começo, tive de me arranjar: trabalhei como faxineiro por um tempo; depois, trabalhei num call center… Mais tarde, o trabalho de evangelização aumentou, e, hoje, somos catequistas itinerantes, com dedicação exclusiva à evangelização”.

“E do que vocês vivem?”, é a pergunta que surge espontânea. “De providência”, responde, à queima-roupa, Massimo, “manifestada concretamente na ajuda da nossa comunidade”. “Partimos verdadeiramente sem nada: tínhamos alguns colchões; as caixas de mudança nos serviam de criados-mudos”, narra Patrizia. “Contudo tem sido extraordinário, porque nos tornamos espectadores das surpresas de Deus. Um dia, por exemplo, nos chamou uma imobiliária que nos disse: ‘Apareceu aqui uma pessoa que viu que vocês não têm guarda-roupa. Venham aqui para escolher o guarda-roupa de sua preferência…’. Para não falar das sacolas de compras anônimas que encontrávamos do lado de fora da casa”.

Os holandeses – que, segundo os estereótipos, são tolerantes até que você não invade o território deles– acolheram com entusiasmo esse “timão” itinerante. “Ficam favoravelmente impressionados com a nossa família”, atesta o casal. “Quando nos veem, nos interrogam. Surge, então, a oportunidade para dar-lhes o nosso testemunho e uma palavra”.

Os Paloni receberam uma acolhida positiva também no Sínodo. “Fantástico!”, exclama Massimo, “todos nos reservaram uma recepção excepcional, começando pelo Papa, que, quando nos viu, ficou contentíssimo, nos sorriu e abençoou toda a família; depois, a Secretaria, os bispos, os cardeais e os demais participantes. Acolheram-nos como a Jesus”.

O mérito é também de Davide. Mamãe e papai sorriem: “Este menino provoca alegria, ternura… Chamam-no de “o menino sinodal”, dizem com orgulho. “Achamos que Deus quis que estivesse presente na assembleia”. “Patrizia – explica o marido – já estava grávida quando a Secretaria, por intermédio da nunciatura holandesa, entrou em contato conosco, mas não tínhamos calculado os tempos e não nos demos conta de que Davide haveria de nascer tão próximo à data do Sínodo… Acho que, dentro das suas limitadas possibilidades, Davide esteja desempenhando um ótimo serviço, pois manifesta a beleza da família”.

“E vocês, que serviço estão prestando ao Sínodo?”, perguntamos-lhes. “Estamos aqui como família missionária, trazendo a nossa experiência. Na nossa intervenção, falaremos da nossa vida e da nossa fé, e do que há por trás, de como tudo começou, de como crescemos graças ao Caminho Neocatecumenal, que nos ajudou a compreender e viver em profundidade a doutrina da Igreja”. “Sobretudo o que a Igreja nos ensina com a Humanae Vitae”, continua Massimo, explicando como a abertura à vida tenha sido para eles “não um peso, mas uma graça que nos deu muita alegria”. “Somos pessoas normais que vêm de um caminho de iniciação cristã, que nos ajudou a aprofundar e desenvolver a nossa fé. Isso permitiu que pudéssemos nos abrir à vida, apesar do nosso egoísmo, dos nossos defeitos…”.

O Sínodo será, portanto, a oportunidade para “dar glória a Deus, falando dos presentes que Deus nos deu, diante dos representantes das Igrejas do mundo inteiro”. Mas será também a ocasião para receber alguma coisa: “É verdadeiramente interessante ouvir pessoas tão qualificadas debater sobre um tema fundamental como a família”, diz Patrizia. “Percebe-se que os pastores têm um forte desejo de ajudar a família, de promovê-la. Há um grande zelo. Isso é o que, até agora, nos marcou mais”. Também, prossegue, “impressionou-me tamanha comunhão que se criou com as demais famílias. Cada uma traz uma experiência diferenciada, por sua origem e por seu caminho de fé, mas nos une um mesmo espírito. Somos tantas famílias, e nunca nos encontramos antes; conhecemo-nos há poucos dias, mas, imediatamente, Deus criou entre nós a comunhão”.

“E entre todas essas numerosas famílias, vocês acham que são como que um modelo?”. “De jeito nenhum – afirma Massimo – eu certamente não… No mundo, há tantas famílias como a nossa. E, se em nós alguém enxerga algo bonito ou exemplar, é por graça de Deus e não por nosso mérito”.