VATICANO, 22 Nov. 16 / 04:30 pm (ACI).- O Papa Francisco afirma em sua nova Carta Apostólica “Misericordia et misera” (Misericórdia e miséria) que “a beleza da família permanece inalterada, apesar de tantas sombras e propostas alternativas”.

 

No parágrafo 14 do documento, o Pontífice assegura que “num momento particular como o nosso que, entre muitas crises, regista também a da família, é importante fazer chegar uma palavra de força consoladora às nossas famílias”.

“O dom do matrimônio é uma grande vocação, que se há de viver, com a graça de Cristo, no amor generoso, fiel e paciente”, destaca.

Por outro lado, o Papa indica que “a senda da vida que leva um homem e uma mulher a encontrarem-se, amarem-se e prometerem reciprocamente, diante de Deus, uma fidelidade para sempre, é muitas vezes interrompida pelo sofrimento, a traição e a solidão”.

“A alegria pelo dom dos filhos não está imune das preocupações sentidas pelos pais com o seu crescimento e formação, com um futuro digno de ser vivido intensamente”, prossegue o documento.

Francisco recorda que “a graça do sacramento do Matrimônio não só fortalece a família, para que seja o lugar privilegiado onde se vive a misericórdia, mas também compromete a comunidade cristã e toda a atividade pastoral para pôr em realce o grande valor propositivo da família”.

Assim, este jubileu “não pode perder de vista a complexidade da realidade familiar atual”. “A experiência da misericórdia torna-nos capazes de encarar todas as dificuldades humanas com a atitude do amor de Deus, que não Se cansa de acolher e acompanhar”, sublinha.

Nesse sentido, afirma que “não podemos esquecer que cada um traz consigo a riqueza e o peso da sua própria história, que nos distingue de qualquer outra pessoa. A nossa vida, com as suas alegrias e os seus sofrimentos, é algo único e irrepetível que se desenrola sob o olhar misericordioso de Deus”.

O Papa sublinha no texto que “isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus, participar ativamente na vida da comunidade e estar inserida naquele Povo de Deus que incansavelmente caminha para a plenitude do reino de Deus, reino de justiça, de amor, de perdão e de misericórdia”.