As nomeações cardinalícias de um birmanês, um tailandês e um vietnamita dão maior impulso à evangelização em terras onde o catolicismo tem sido uma minoria, muitas vezes perseguida

Por Luca Marcolivio

 

ROMA, 16 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org) – Três nomeações que fortalecem a Igreja no Sudeste da Ásia, maior continente do mundo. Desde ontem, o Myarmar ou Birmânia, a Tailândia e o Vietnã têm um cardeal a mais na história: muito significativo para três países onde o cristianismo sempre foi uma minoria, quando não explicitamente impedido ou perseguido.

Um clima muito particular de alegria e cordialidade durante a visita de cortesia a Charles Maung Bo, 66 anos, arcebispo de Yangon e primeiro cardeal  birmanês da história, foi notado ontem à tarde, na Sala Paulo VI.

O Cardeal é salesiano e realmente parece encarnar o carisma da alegria característico de São João Bosco. Questionado por ZENIT sobre a importância do bicentenário do nascimento de seu fundador, o cardeal Bo  respondeu que “o exemplo de Dom Bosco para os jovens, com seu sistema ‘preventivo’, com base no amor e na ternura, é muito oportuno e deve ser relançado e fortalecido”. O aniversário de Dom Bosco é  uma oportunidade para “dar ênfase à educação dos jovens”.

Para saudar o Cardeal birmanês pessoas de todas as nacionalidades e não apenas católicos, entre eles, um Monaco budista, que o homenageou com um abraço caloroso. Esta foi a oportunidade de perguntar sobre a convivência entre as religiões e a liberdade religiosa em seu país, recentemente libertado de uma ditadura cruel, que durou mais de 40 anos. “Em Myarmar já não existe mais perseguição religiosa, embora existam alguns casos de discriminação – disse o cardeal -. No entanto, esperamos que, com a democracia, seja garantido plenamente a tutela de qualquer forma de culto”.

A esperança do cardeal Bo é que com a “boa vontade do governo e de todo o povo de Myarmar”, consigam a “reconciliação de todos os grupos étnicos, a paz e o pleno desenvolvimento”.

A poucos metros de distância, na parte central da Sala Paulo VI, no Vaticano, encontramos o  Cardeal Francis Xavier Kriengsak Kovithavanij, arcebispo de Bangkok. Sentado nos degraus, um grupo de compatriotas festejavam o neo-cardeal, entre os quais algumas mulheres em trajes tradicionais, agitando bandeiras tailandesas e entoando canções marianas.

“Eu acredito que o Papa quis ‘descentralizar um pouco a Igreja’, levando-a até a periferia”, disse o cardeal à ZENIT. A Ásia é um continente que, provavelmente, o Santo Padre leva muito em consideração porque para nós as religiões ainda tem grande importância, em comparação com outros continentes. Nós católicos asiáticos temos a obrigação de responder a este encorajamento do Papa “.

O Cardinal Kovithavanij descreveu a Igreja na Tailândia muito envolvida em obras de “caridade”, apesar da evangelização no sentido estrito avançar em pequenos passos. Em momentos de dificuldade,  o povo tailandês sempre se volta para a Igreja Católica, à qual demonstra “grande confiança”, sendo percebida como uma instituição capaz de “dar respostas com os outros.”

Como a maioria dos novos cardeais, Kovithavanij também foi “pego de surpresa” com a notícia da nomeação em 4 de janeiro, pelo Papa Francisco. “Quando eu descobri – disse o arcebispo de Bangkok – eu disse a Deus que, se essa era a Sua vontade, eu daria o meu tudo, na esperança de que Ele me daria o Seu Espírito para fazer o que me pedisse… mas naquela noite eu não dormi”.

Para completar o quadro dos novos cardeais do Sudeste asiático, o Cardeal Pierre Nguyen Van Nhon, 76 anos, Arcebispo de Hà Nôi. Muito vivaz, o Cardeal vietnamita desejou um bom trabalho à ZENIT, declarando grande  estima, mas preferindo não comentar nada. “Um dia como hoje eu gostaria viver da maneira mais espiritual possível”, ele sorriu.

Van Nhon é o representante de uma igreja, a vietnamita, que sofreu uma perseguição comunista de cinquenta anos e que hoje se mostra dinâmica e em expansão, com forte intercessão do céu de muitos mártires e verdadeiros heróis da fé: como o Servo de Deus Cardeal François Xavier Nguyên Van Thuȃn (1928-2002).