Artigo publicado em Voz Portucalense, em 4 de março de 2015, escrito por Alexandrino Brochado

 

Ninguém pode negar que todos nós temos direito à indignação. Há relativamente pouco tempo, um político português, muitas vezes citado na grande imprensa, afirmou e espalhou aos quatro ventos esta mesma ideia – “todos nós temos direito à indignação”.

Esta afirmação, expressa assim, “tout court”, pode ser perfilhada por todos nós, mesmo possuindo uma boa formação. O que nem todos podem admitir é a forma super agressiva, a tresandar ódio, que todos os dias ouvimos nos órgãos de comunicação social.

No mundo moderno, as palavras têm a sua moda, como as vestes das senhoras e, agora, até dos homens. Estou a referir-me a alguns programas que, todos os dias, enchem a nossa televisão.

Assim, as palavras liberdade, fraternidade, progresso, solidariedade, direitos, etc., nos dias de hoje, são sobejamente pronunciadas, sobretudo nas esferas da política.

Não há muitos dias, um pretenso comentador político afirmava, na nossa televisão: “é preciso fazer desaparecer todos os políticos modernos de topo e, inexoravelmente, encostá-los à parede. São uma escória de que, necessariamente, temos de nos libertar, se pretendemos que o nosso país tenha liberdade e progrida a par das nações”. Estas palavras constituíram a escolta de inúmeros adjectivos que a minha sensibilidade moral tem dificuldade em repetir aqui.

O mundo actual, neste ambiente em que vivemos, está imbuído duma neurose universal que atinge toda a gente e que, consequentemente, nos rouba a paz e a alegria de viver. O semblante das pessoas com quem contactamos apresenta, quase sempre, um fácies de angústia, de tristeza e de revolta. Não estou a dizer nada de novo. Quem me dera que estivesse.

Aqueles que têm o dom da fé, a grande riqueza que o homem pode ter neste mundo, não deixem de elevar os seus olhos para o alto e pedir ao Senhor de todos os bens, ao Senhor da Justiça e da Paz, que ilumine os corações humanos e nos dê aquilo que mais falta nos faz: a paz, a tranquilidade, o amor dos nossos irmãos e a supremacia da justiça em todos os actos da nossa vida. O homem só pode ser feliz movimentando-se na esfera destes valores. Esquecendo-se deles, ou fazendo deles tábua rasa, nunca poderá ter aquela felicidade a que todos aspiramos.

Todos estes predicados que acabamos de citar fazem parte do edifício moral e da ideologia evangélica que Cristo veio instaurar na terra. O drama da civilização moderna é colocar a doutrina do cristianismo no rol das coisas ultrapassadas e impossíveis de praticar.

Há pouco tempo escrevia-se num jornal muito lido e publicado: “no mundo moderno ainda haverá lugar para a doutrina de Cristo com a sua moral e preceitos muito exigentes?” Sem dúvida que há. Penso até que o regresso da felicidade ao mundo está na adopção integral da doutrina de amor e de paz que Jesus Cristo trouxe ao nosso mundo pecador.