2017-03-23 Rádio Vaticana – Bagdá (RV) – Está se concretizando cada vez mais a possibilidade de um retorno da Companhia de Jesus ao Iraque. Os jesuítas foram obrigados a deixar o país, em 1969, depois do Golpe de Estado que levou ao poder o partido nacionalista Baath, apoiado pelos sunitas. 

 

Segundo o jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano, em 6 de janeiro passado, em Bagdá, realizou-se um encontro entre o Patriarca de Babilônia dos Caldeus, Dom Louis Raphael I Sako, e o Provincial jesuíta do Oriente Próximo, Pe. Dany Younes. Os dois concordaram sobre a bondade da proposta feita por Pe. Younes, ou seja, de voltar ao País do Golfo para retomar uma presença iniciada em 1932, ano em que se tornou independente da administração britânica que estava no poder desde 1920. 

O Patriarca Sako definiu essa eventualidade como “uma bênção para o Iraque, sobretudo para os cristãos”. “Os jesuítas formaram gerações de iraquianos em suas escolas. O pequeno rebanho cristão no Iraque precisa de sua presença e apoio espiritual, pastoral e cultural. Portanto, são bem-vindos”, disse ele. Segundo o patriarca, a Companhia de Jesus poderá retomar o lugar que havia, antes de ser expulsa, no campo da instrução da sociedade iraquiana.

O serviço dos jesuítas no Iraque poderá se expandir, indo além do compromisso assumido, desde 2014, pelo Serviço Jesuíta para Refugiados de Irbil, no Curdistão iraquiano. O patriarca caldeu mostrou-se favorável à restituição dos bens confiscados aos jesuítas no momento da expulsão do país, desde então administrados pela Igreja caldeia. 

Desde os anos trinta, com o objetivo de oferecer às comunidades cristãs uma alternativa às escolas estatais de matriz islâmica, quatro jesuítas estadunidenses fundaram o Colégio Bagdá, que acolhia adolescentes de todas as confissões cristãs, mas também muçulmanos e judeus. 

Em 1956, criaram a Universidade Hikma, onde se ensinava, também às mulheres, economia, física e engenharia. Quando os jesuítas deixaram o Iraque, o Colégio Bagdá contava 1.100 estudantes, dos quais 70% muçulmanos.

(MJ)

(from Vatican Radio)