Roma, 05 Fev. 16 / 01:00 pm (ACI).- Um grupo de pessoas que conseguiu fugir da cidade de Sirte (Líbia) – a qual foi invadida em fevereiro de 2015 pelo Estado Islâmico (ISIS) – denunciou que os jihadistas impuseram a sharia (lei muçulmana) e fazem crucificações e chicotadas publicamente às pessoas que não aceitam as suas leis ou cursos de “reeducação”.

 

Usando nomes fictícios por motivos de segurança, a BBC difundiu os relatos de pessoas como “Bint Elferagani”, que trabalhava como pediatra no hospital Ibn Sina e conseguiu fugir de Sirte em agosto de 2015. Ele denunciou: “As mortes são inacreditáveis”.

Bint mantém contato com alguns familiares que permaneceram nesta cidade e disse que “um primo foi crucificado na praça de Al Zaafran, outro foi assassinado em Gharbiyat e um terceiro foi decapitado. Além disso, outro foi assassinado com fogo de artilharia. Uma das suas amigas perdeu seus três irmãos”.

Por sua parte, Al-Warfali, que abandonou a cidade em dezembro, disse que “no princípio não aplicavam a sharia”, mas “em agosto começaram a impor um severo código islâmico, tanto na vestimenta como no comportamento. Qualquer pessoa que não se adequasse, normalmente depois da oração de sexta-feira, era chicoteada ou crucificada na praça”.

Em seguida, os fugitivos também contaram que em Sirte o ISIS distribuiu propagandas a fim de que as pessoas participassem dos “cursos de reeducação” baseados na lei islâmica. Aqueles que não participassem dos cursos eram interrogados. Segundo relataram, muitos jihadistas são provenientes da Turquia, do Iraque e da Síria e também se somaram alguns extremistas locais.

Além disso, encheram a cidade com cartazes que advertem que as mulheres não podem andar vestidas como os infiéis, mas devem usar roupas escuras que cubram o corpo todo. E também não podem usar perfumes.

Os relatos ainda assinalam que há dois meses o ISIS tenta controlar os poços de petróleo mais importantes do país, entretanto, continuam sendo rechaçados pelas forças do governo.

“O último grande ataque foi realizado em 4 de janeiro, mas foram rechaçados. Atualmente, tentam chegar à planta de Ras Lanuf. O grupo terrorista não tem a quantidade de homens suficientes para conquistar os poços, mas nunca pretendem cessar os ataques”, indicaram.