O prof. Valter Santilli recorda o seu encontro de 2007 com o futuro papa Francisco, em que predisse que o Senhor iria “mudar o nome dele”

Roma, 30 de Setembro de 2015 (ZENIT.org) – Durante a audiência geral de hoje, o papa Francisco faz um resumo preciso da viagem a Cuba e aos Estados Unidos e mencionou a profecia de São João Paulo II ao visitar a ilha em 1998: “Que Cuba se abra para o mundo e o mundo se abra para Cuba”.

Tem chamado a atenção, no entanto, outra “profecia”, diretamente relacionada com o extraordinário pontificado de Francisco…
 
Quando o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito sucessor de Joseph Ratzinger no trono de Pedro, muitos se perguntavam qual era o destino da Igreja católica sob a inédita liderança de um pastor da América Latina, definido pelo vaticanista Sandro Magister em 2002 como “tímido, reservado, de poucas palavras”. Enquanto grande parte do mundo se questionava sobre o novo papa “chamado do fim do mundo”, um homem sorria tranquilo diante da tela da sua televisão: era o professor Valter Santilli, fisiatra da Universidade La Sapienza, de Roma. Autoridade no campo da fisioterapia, ele tinha sido chamado a visitar o então cardeal Bergoglio durante uma visita a Roma para participar de um sínodo no Vaticano. Bergoglio sofria de lombociatalgia.
 
Com embaraço considerável, Santilli contou uma história que remonta a 2007, quando Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires: “Eu fui chamado, em 2007, a visitar um cardeal que estava em Roma. Era o cardeal Jorge Mario Bergoglio. Naquela ocasião, eu entendi imediatamente a importância humana e espiritual daquele cardeal que saía dos esquemas tradicionais”. O professor Santilli também descreve com tristeza aquele encontro que lhe trazia à mente a imagem bíblica de Jacó em luta com o anjo: “Sua eminência sabe que a ciática é uma doença profética?”, perguntou, olhando diretamente nos olhos do cardeal silencioso.
 
“Por quê?”, quis saber Bergoglio. “Porque no livro do Gênesis, capítulo 32, no episódio da luta entre Jacó e o anjo, este último o tocou no nervo ciático e na articulação do quadril”. E Bergoglio replicou: “E então?”. “Eminência, naquela noite o Senhor mudou o nome de Jacó para Israel. Depois desta sua dor ciática, o Senhor mudará também o seu nome”. O arcebispo de Buenos Aires olhou perplexo para o médico, esboçando um sorriso, mas sem acrescentar nada.
 
Após a visita, os dois conversaram ainda sobre a conferência “Ciência, Arte e Espiritualidade”, que o fisioterapeuta queria realizar na Universidade La Sapienza. Em 2007, a universidade romana tinha recusado a visita de Bento XVI porque um grupo de professores, por razões científicas, tinha expressado desapontamento com um discurso do então cardeal Ratzinger, em 15 de fevereiro de 1990, por ter feito referência a uma citação do filósofo da ciência Paul Feyerabend, que avaliava positivamente o trabalho da Igreja no julgamento de Galileu Galilei. Bergoglio manifestou então a Santilli o desejo de organizar o encontro na Universidade Católica Argentina em Buenos Aires. Em setembro de 2008, aconteceu o congresso na capital argentina.
 
Apesar de alguns contatos fugazes, os dois “amigos” se perderam de vista nos anos seguintes até que a “profecia” se cumpriu. Nas horas que sucederam a sua eleição, Francisco não se esqueceu do homem da ciência que a tinha “previsto”. O novo papa o contatou por telefone e lhe disse: “O meu nome era Jorge Mario Bergoglio. Depois, o Senhor o mudou e agora me chamam de papa Francisco”.
 
Alessandro Notarnicola, no blog “Dentro le Mura”