Reflexão de Madre Teresa de Calcutá sobre a vinda ao mundo do Filho de Deus

 

Osvaldo Rinaldi | 22 de Dezembro | ZENIT.org | Espiritualidade e Oração | Roma

A poucos dias do Natal, cheios de ansiedade pelos preparativos para o jantar e a compra de presentes, a iminente Solenidade nos convida a esculpir um espaço de tempo para refletir sobre o significado mais profundo deste acontecimento cristão.

Madre Teresa nos deixou uma meditação profunda sobre o significado do Natal, dando-nos um texto incrível em sua simplicidade, mas rico daquela humanidade que o Filho de Deus leva a cada ser humano.

Leiamos com humildade estas palavras repletas da gratuidade do amor de Deus por cada criatura:

É Natal cada vez que você sorri a um teu irmão e lhe estende as mãos.

É Natal cada vez que você fica em silêncio para escutar o outro.

É Natal cada vez que você não aceita aqueles princípios que renegam os oprimidos à margem da sociedade.

É Natal cada vez que você espera com aqueles que estão desesperados na pobreza física e espiritual

É Natal cada vez que você reconhece com humildade os teus limites e as tuas fraquezas.

É Natal cada vez que você permite ao Senhor de renascer para se doar aos outros.

Estas palavras são um verdadeiro decálogo de acolhimento, de aceitação e de serviço gratuito ao próximo.

O sorriso do coração é um sinal de abertura ao outro, porque reflete a disposição dos reconciliados e pacificados, que é muito mais eloquente do que tantas palavras inúteis e vazias.

O sorriso exprime aquela abertura de quem perdoou os erros profundamente sofridos. Poderíamos dizer que o sorriso é a abertura da Porta do Jubileu da Misericórdia de sua própria casa, porque manifesta a retidão de intenção no convívio e na partilha.

A realidade, muitas vezes, é diferente, porque a dureza do nosso coração encontra dificuldade de sorrir para aquele parente que depois de meses aparece na porta da nossa casa; é mais fácil julgá-lo por seu afastamento do que acolhê-lo novamente, com a alegria de ter reencontrado alguém que estava perdido.

Como é fácil cair no risco de oferecer “falsos sorrisos” que são o prelúdio de um árido diálogo, de discursos inúteis, de falsos relacionamentos e falsa presunção.

O verdadeiro sorriso é o prelúdio da escuta, que é a chave universal para entrar no coração do nosso interlocutor. A escuta silenciosa é aquela força interior capaz de transferir o outro da periferia para o centro da atenção. A escuta devolve a dignidade e o valor a esses eventos da vida que precisam ser ditos a alguém para ser entendido pela pessoa que fala. Escutar é um serviço insubstituível e eficaz porque contém a força silenciosa de fazer sair do coração de quem está diante de nós aquelas verdades desconfortáveis, que são o prelúdio para a possibilidade de oferecer palavras de encorajamento e de esperança.

Estas palavras de Madre Teresa contêm um precioso segredo evangélico: se quisermos compreender e nos reconciliar com aquele parente que está connosco à mesa no Natal, evitemos usar muitas palavras para justificar ou para tentar minimizar a situação embaraçosa. A atitude certa que estabelece uma reconciliação saudável e duradoura é a humildade da escuta, capaz de compreender as dificuldades dos outros e consertar aquele pano velho que o nosso cruel justicialismo deixou pela soberba e dureza dos nossos corações.

O escutar, precedido pelo sorriso, é realmente misericordioso quando oferece palavras e gestos de esperança para aqueles que foram surpreendidos pelos acontecimentos da vida e não conseguem encontrar uma maneira de sair daquela deprimente situação de angústia e desespero.

Que bom seria ouvir no Natal as sogras que reconhecem os esforços das noras na criação dos filhos, conciliar o trabalho com a família, que bom seria para as crianças verem seus pais falarem com alegria de seus avôs, que alegria seria recordar nesta noite santa todos aqueles que vieram antes de nós, fazendo memória de alguns episódios de suas vidas, que bom seria conversar com aquele parente com o qual tivemos uma desavença e reconhecer nossos limites em vez de condenar a fraqueza dele.

O Natal é a celebração do memorial da vinda do Filho de Deus a Terra para que o Menino Jesus possa nascer novamente em cada ser humano e renovar a partir do nosso interior as nossas vidas com as palavras de Madre Teresa: “É Natal cada vez que você permite ao Senhor de renascer para se doar aos outros”. São palavras cheias de esperança, porque contêm uma sabedoria que não é deste mundo, que afirma a verdade cristã tão esquecida em nosso tempo: a mudança no mundo é possível quando começa a mudar primeiro o nosso coração.

A conversão é realmente contagiante, quando somos os primeiros a reconhecer que necessitamos da misericórdia de Deus. Se Cristo nascer em nós, a nossa casa se tornará o humilde estábulo de Belém, pobre de segurança terrena, mas rica em humanidade e calor humano, que será visitado por muitos pastores marginalizadas do nosso bairro, que escutando as vozes dos vizinhos, poderão correr com confiança para o nosso focolare. Seria bom pensar em um Natal que transforme as nossas famílias, onde ninguém que está batendo à porta volte para casa de mãos vazias, mas encontre muitos sinais visíveis da misericórdia de Deus, muitas vezes feitos de palavras, mas outras vezes de gestos concretos, usando a caridade cristã, que é verdadeiramente autêntica quando tem a força de tirar algo de si para socorrer as necessidades materiais e espirituais dos necessitados.