CÁDIZ, 03 Fev. 17 / 11:00 am (ACI).- No último dia 27, foi encontrado na costa de Cádiz (Espanha) o corpo de um menor subsaariano que recordava o de Aylan, o menino sírio que comoveu o mundo na costa grega. A Diocese de Cádiz e Ceuta convocou uma oração na praia para pedir por todas as pessoas que morreram no Mar Mediterrâneo, especialmente ao tentar cruzar o estreito de Gibraltar.

 

Aproximadamente 200 pessoas participaram no dia 1º de fevereiro de um momento de oração organizado pela Diocese de Cádiz e Ceuta depois da morte de um pequeno de origem subsaariana de apenas 6 anos chamado ‘Samuel’, cujo corpo chegou na praia de Mangueta de Zahora, Cádiz (Espanha), e por todas as pessoas que morrem no mar tentando alcançar a costa da Europa.

Durante a oração organizada na praia onde apareceu o corpo do menor ‘Samuel’, Gabriel Delgado, diretor do Secretariado diocesano de Migrações, leu um comunicado do Bispo da diocese, Dom Rafael Zorzona, através do qual destacou que este “acontecimento atingiu a nossa consciência e toda a sociedade”.

“Devemos despertar da anestesia egoísta do conforto e do individualismo que caracteriza as relações humanas atualmente para unir as nossas forças na oração e na ação. Pronunciemos bem forte a palavra que expressa melhor o que vemos e sentimos: VERGONHA”, expressou o Bispo no comunicado.

Segundo dados lembrados pelo Prelado, somente em janeiro deste ano, 3.871 pessoas chegaram à Europa, provenientes da África, Ásia ou do Oriente Médio em busca de uma vida melhor.

Aproximadamente 100% das pessoas chegaram pelo mar e 246 morreram afogadas durante a viagem. Além disso, em 2016 mais de 5.000 pessoas morreram no Mar Mediterrâneo e estimam que um terço dos migrantes e refugiados são menores de idade.

“Por trás de cada pessoa morta ou desaparecida há uma família, um povo, uma nação; mas também há fome, guerra, perseguição, extorsão; e muitos medos, abandono, dor, perdas, junto com muitos sonhos lícitos e a esperança do bem e de uma vida melhor, que para muitos só será realizada na vida eterna”, precisou.

Além disso, afirmou que é uma “vergonha uma imigração trágica que acaba matando milhares de adultos, jovens e crianças, para a qual não buscam soluções eficazes suficientes, tanto nos seus países de origem como nos países onde eles chegam”.

“A morte deste menino também demostra como as crianças são as mais vulneráveis no drama da migração e ainda estão expostas a maiores riscos”, insistiu o Bispo.

Durante a oração pediram, sobretudo, por “todas as pessoas que morreram no mar, no estreito de Gibraltar” e especialmente pelas crianças e “por este menino que já é um símbolo da impotência desta multidão contra o mal”.

Também rezaram pelos “governantes das nações”, para que “promovam leis justas e resolvam com generosidade e equidade o problema da emigração, em sua origem em seu destino”, e por aqueles “que ajudam as pessoas que chegam à costa, as forças de segurança e as organizações comprometidas com os migrantes”, para que “o Senhor recompense a sua ajuda”.