Presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família reflete sobre convocação do Ano da Família «Amoris Laetitia

Lisboa, 16 jan 2021 (Ecclesia) – D. Joaquim Mendes disse hoje ser necessário olhar com “atenção” para as famílias nas comunidades paróquias, espaços onde “há famílias feridas, jovens a acompanhar” na sua realidade.

“É preciso dinamizar a atenção à família nas comunidades cristãs. Os movimentos apoiam e são um contributo importante, mas devemos olhar para o conjunto. No âmbito paroquial há famílias feridas, casais jovens que é preciso acompanharem, famílias que é necessário convidar a participar na comunidade e na formação dos filhos”, afirmou à Agência ECCLESIA o presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família.

O Papa Francisco convidou os cristãos a celebrar o Ano da Família «Amoris Laetitia» (AL), inauguração marcada para 19 de março, coincidindo com a festa de São José, num tempo em que decorre o ano dedicado a São José.

“A figura de São José é inspiradora não só em relação ao cuidado, mas à paternidade como uma missão fundamental na família. São José é um modelo de fé, de uma fé difícil, um modelo de abertura à missão confiada, que se vai revelando, com momentos de obscuridade, de dificuldade, o que acontece nas famílias”.

O responsável português acredita que o convite a refletir sobre a família, assinalando os cinco anos de publicação da exortação apostólica, se prende com a preocupação do Papa em iluminar a carta “no seu todo e não apenas no capítulo 8, cuja atenção foi muito centrada”, fazendo esquecer “outros aspetos importantes”.

“O Papa Francisco oferece uma oportunidade a toda a Igreja de refletir e aprofundar o riquíssimo conteúdo da exortação apostólica, fruto do caminho sinodal, que continua e continuará a nível pastoral”, traduz D. Joaquim Mendes.

O bispo auxiliar de Lisboa lembra que os objetivos da convocação do ano passam ainda pelo “anúncio do sacramento do matrimónio, como dádiva e tendo o poder transformador do amor humano”;

O ano pretende também tornar as famílias protagonistas da pastoral familiar: “Já na assembleia extraordinária foi dito que as famílias não são só objeto mas sujeito da pastoral”, recordou.

Para o responsável importa ainda alargar a toda a ação pastoral da Igreja a atenção com as famílias, bem como “consciencializar os jovens sobre a importância da formação à verdade do amor e ao dom de si”.

O Dicastério para os Leigos, Família e Vida vai disponibilizar “propostas e instrumentos pastorais” destinados a ser usados em “todas as realidades da Igreja: dioceses, movimentos, associações internacionais de família e famílias”.

“Trata-se de um programa muito rico e amplo, a que as dioceses, paróquias, movimentos, comunidades, associações e noutros âmbitos, como a escola ou a pastoral do ensino superior, devem dar seguimento, planificando as propostas pastorais, de forma a chegar ao maior número de famílias e pessoas, para que conheçam o conteúdo da AL e se empenhem no anúncio do evangelho da Família”, explica.

D. Joaquim Mendes valoriza ainda a participação do Papa Francisco que, através de vídeos, irá aprofundar os capítulos da exortação apostólica juntamente com famílias que testemunhem alguns aspetos da sua vida quotidiana.

Uma atenção especial ainda para os avós e idosos: “o Papa tem muito empenho nesta pastoral dos idosos, numa atenção aos idosos e o seu contributo na pastoral da Igreja”.

O bispo responsável relembra a reflexão que a Conferência Episcopal Portuguesa, publicada em maio de 2019, carta sobre «A alegria do matrimónio cristão», que recolhe alguns núcleos da AL.

Em 2018, o Centro Nacional de Preparação para o Matrimónio publicou «Caminhada em matrimónio, um guia para noivos e famílias», “um subsídio pouco conhecido, mas elaborado pelos próprios casais e muito interessante”.

O término do Ano da Família «Amoris Laetitia» está marcado para a celebração do X Encontro Mundial das Famílias, que terá lugar em Roma, em junho de 2022.

LS