Creches italianas cancelam a festa dos pais por “respeito às famílias arco-íris”. Um juiz inglês suspenso por ter dito que os estudos não demonstram que crescer com homossexuais seja “o melhor para as crianças”

 

15 março 2016 – São José na Itália. Um magistrado na Grã-Bretanha. São as duas novas vítimas da ideologia de gênero.

O pai adotivo de Jesus, cuja festa (19 de março) é tradicionalmente, na Itália,  associada ao Dia do Pai, é obviamente uma figura que os profetas do indiferentismo sexual – sempre prontos para pedir maior tolerância com eles – não toleram de jeito nenhum. O fato que está acontecendo em uma creche do bairro Isola, de Milão, testemunha isso.

Por decisão da direção da escola, a partir deste ano, para a festa do pai as crianças terão que renunciar aos trabalhos feitos à mão e às rimas aprendidas de memória para expressar afeto aos seus pais.

A decisão, dizem os diretores da escola infantil, foi tomada para não discriminar eventuais crianças que vivem com casais do mesmo sexo. É assim que, no lugar da tradicional festa em honra aos pais, foi organizada uma programação didática dedicada às várias etnias. Um único gesto para alinhar duas escolas de pensamento do politicamente correto: ideologia de género e melting pot.

Além das frases de circunstância, e da “bênção” da Câmara Municipal de esquerda, fora da instituição os pais se demonstram relutantes com a ideia de ter que repropor às escondidas a figura de São José para benefício de uma mais anônima aclamação por uma sociedade multicultural.

“Eu não entendo por que eliminar um costume que se concretiza com um gesto de afeto e permanecia no tempo”, se pergunta um pai indignado entre tatos pais que fora os muros da escola murmuram por causa da decisão da escola.

Para dar eco ao seu sofrimento, a intervenção de alguns políticos. O ex-vice-prefeito de Milão, Riccardo De Corato destaca que a escola é municipal e, portanto, “não é aceitável que cada um faça o que quiser”. De Corato lembrou também que para a junta Pisapia não é novidade iniciativas focadas a erradicar a família, com a introdução dos termos “genitore 1” e “genitore 2”.

Assim também é a vontade de expulsar São José da escola italiana. Em Bolonha, três escolas infantis anunciaram que neste ano não organizarão iniciativas para a festa do pai. Já no ano passado, em Roma, a mesma decisão tinha criado discussão. Um grupo de pais tinha desafiado o instituto, pedindo para retomar os festejos.

A desenvoltura do pequeno grupo de pais romanos é uma generosa tentativa de reações perante uma ideologia agressiva que se estende por toda parte, pelo menos no mundo ocidental. Pagou o pato, há algum tempo atrás, um magistrado de 69 anos do Kent, na Inglaterra, com o nome de Richard Page.

Réu por ter declarado, durante uma entrevista à BBC, que não há provas suficientes sobre o fato de que confiar crianças à casais homossexuais é de interesse deles. Page foi removido do seu cargo pelo Lord Chanceler.

A notícia, que foi lançada pelo Observatory on intolerance and discrimination against Christians in Europe, foi retomada na Itália por Marco Tosatti no jornal La Stampa. Aqui estão as palavras que custaram caro juiz inglês: “A minha responsabilidade como magistrado, na minha opinião, era de fazer o que eu considerava o melhor para as crianças, e a minha sensação, portanto, era de que seria melhor se os pais adotivos fossem um homem e uma mulher”.

Depois de uma investigação conduzida por uma comissão disciplinar, ele foi removido porque demonstrou com aquela entrevista que tem “um preconceito” com os pais adotivos do mesmo sexo. Já em 2014 Page tinha conhecido o quão severa possa ser a ideologia de gênero. Por não estar de acordo com os seus colegas sobre a atribuição de uma criança a um casal gay, foi forçado a seguir um “curso de re-educação”.

Grande a bagagem de experiência profissional que este magistrado inglês tem, ao ponto de comentar assim a decisão de suspendê-lo: “Como magistrado, deve agir com base em evidências, e muito simplesmente, acho que não haja evidência para me convencer de que colocar uma criança aos cuidados de um casal do mesmo sexo possa globalmente ser benéfico, assim como coloca-los sob o cuidado de uma mãe um pai, como Deus e a natureza fazem”.

Palavras que não servem para suavizar a pena emitida contra ele. Os termos “Deus” e “natureza” não aparecem no vocabulário da “neo-língua” orwelliana que os defensores do género querem impor. Esses mesmos defensores que – como diz Andrea Williams, advogado de Page – “procuram calar as opiniões opostas” e “se não o conseguem, esmagam e punem as pessoas que têm essas opiniões”.