Presidente do Fórum italiano da Família pede mudança cultural e urgentes políticas para incentivar os jovens a “fazer família”

 

Roma, 13 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Federico Cenci – Cada vez mais casais, na Itália, coabitam sem terem antes se apresentado ao altar, conforme o último levantamento do instituto de pesquisas Istat.

Em 2014, 189.765 casamentos foram celebrados na Itália: 4.300 a menos que em 2013. No período 2009-2013, a queda foi de, em média, 10 mil casamentos por ano. De 2008 a 2014, o número total de casamentos diminuiu em cerca de 57 mil.

A idade dos noivos é cada vez mais alta: 34 anos para os homens e 31 para as mulheres. No norte e no centro da Itália, as uniões civis superam os casamentos religiosos. É baixa a duração média do casamento: 16 anos. Cresce, portanto, o número de separações e divórcios no país.

Especialmente entre os jovens, há certa relutância em se casar. As uniões de fato mais que duplicaram desde 2008, ultrapassando um milhão em 2014. No mesmo ano, um nascido em cada quatro era filho de pais não casados.

Com os números em mãos, é inegável a crise do casamento na Itália, devida a “razões culturais e de valores, mas também estruturais e econômicas”, de acordo com Francesco Belletti, presidente italiano do Fórum das Associações Familiares.

Entrevistado por Zenit, Belletti observa que a instituição da família “foi privatizada: na sociedade contemporânea, ela representa apenas a dimensão emocional, ligada a sentimentos”. Sua dimensão institucional perdeu espaço, ou seja, “a ideia de que a família é uma contribuição à sociedade”.

Segundo a Declaração dos Direitos Humanos de 1948, lembra o presidente do Fórum, “a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade” e, por isso mesmo, acrescenta Belletti, “um lugar socialmente relevante, como reconhece o artigo 29 da nossa constituição”.

Mas isso é mera teoria. “Hoje, não se considera conveniente formar família”, lamenta ele, observando que as famílias têm sido “afetadas pela crise estrutural, pela precariedade do trabalho, pela falta de políticas de emprego”. Belletti fala de uma “precarização dos projetos de vida”, que incentiva os jovens a optarem por uniões de fato.

O Fórum das Associações Familiares identifica quatro iniciativas que o governo deve tomar para incentivar os casamentos. Primeiro, “definir políticas de habitação para aqueles que querem formar família”. Segundo, uma “política fiscal que não penalize as família; demandamos isto, como fórum, desde 2010, mas, infelizmente, em sucesso”. Belletti fala ainda de “políticas de trabalho” e, com particular atenção, também da questão demográfica. “O país deveria demonstrar aos jovens, com apoio concreto, que ter filhos é uma prioridade social. Mas, por trás da retórica sobre a crise demográfica, não há sinais claros para incentivar os nascimentos”.

Mas os problemas não são apenas econômicos. Há uma tendência cultural à instabilidade afetiva. O presidente do Fórum acredita que o recente Sínodo dos Bispos sobre a família pode ter dado “nova esperança” para os “casais incertos”.

Belletti se refere à atenção dedicada pelos padres sinodais a comunicar aos que optaram pela coabitação que “o verdadeiro projeto familiar consiste na consolidação do pacto que só o matrimônio pode proporcionar”. O projeto cultural, no entanto, “é de longo prazo”. E os dados sobre a diminuição dos casamentos, o aumento das separações e a crise demográfica exigem uma ação urgente.