slide1 slide2

Sínodo dos Bispos: trabalho em grupos demonstra que doutrina da Igreja seguirá intacta

VATICANO, 19 Out. 15 / 03:35 pm (ACI).- Três bispos participantes do Sínodo sobre a Família coincidiram hoje em assinalar que o trabalho nos chamados círculos menores por idiomas também serve para demonstrar que a doutrina da Igreja seguirá intacta a respeito ao acesso à comunhão para os divorciados recasados e a homossexualidade.

 

Em coletiva realizada esta tarde na Sala de Imprensa do Vaticano, o Arcebispo de Brisbane (Austrália), Dom Mark Coleridge, explicou que o trabalho nos grupos por idiomas mostra que “não existe apoio para a mudança do ensinamento da Igreja, o que mostra que se manterá intacto”.

Em resposta à pergunta sobre o que espera como resultado de êxito do Sínodo, o Arcebispo disse que “o primeiro é que não haverá uma mudança no ensinamento substancial na doutrina da Igreja”.

O Prelado explicou que, em uma recente entrevista com um jornalista “que muito criativamente tentava me tirar uma resposta sobre a quantidade de pessoas que apoiam” a proposta de admitir a comunhão aos divorciados recasados, disse que a percentagem estava em cerca de “65 (por cento contra)” e “35 (por cento a favor)”, embora, na verdade, “não tenho ideia se é assim, porque as intervenções de todos são de três minutos e é difícil recordar tudo”.

“Não recordo uma só intervenção na qual o assunto tenha sido proposto direta e claramente. Ninguém disse simplesmente que ‘devemos aceitar os divorciados recasados na comunhão’”.

Em meu grupo, ressaltou, “não houve uma só voz a favor da comunhão” para os divorciados em nova união.

Do mesmo modo, o Arcebispo de Brisbane disse que “os números dos que apoiam esta postura (no Sínodo) são muito modestos e podem ter se debilitado enquanto o Sínodo se desenvolve. Além disso, o que nos interessa mais é como podemos ajudar estes casais”.

Por sua parte e respondendo a uma pergunta dos jornalistas presente, o Patriarca de Jerusalém dos Latinos, Dom Fouad Twal, disse: “Não acredito que algum dos três temas que mencionou seja o centro do Sínodo (comunhão para divorciados recasados, homossexualidade e convivência)”.

O Patriarca explicou que o Sínodo “trata dos desafios das famílias e devo dizer que sentimos certa obrigação e vemos nossos limites ao não poder remediar todos os problemas e as dificuldades que as famílias têm. Sabemos que não podemos remediar todos os problemas, mas em nossa região há outros problemas. No Oriente Médio não existem estes problemas, não existe o matrimônio civil. Esses três problemas não existem, mas há muitos outros”.

Por outro lado, o Bispo de Parma (Itália), Dom Enrico Solmi, comentou que até este ano presidiu a Comissão de Jovens, Vida e Família da Conferência Episcopal Italiana, e se referiu a três aspectos que o Sínodo deve ter em conta.

“Espero que o Sínodo não seja cosmético, que saiba incidir na vida da Igreja, recolocando a família no posto que a Igreja tem para ela. Em segundo lugar, a família deve assumir um papel ministerial, de serviço”.

Em terceiro lugar, continuou, “será importante uma sinodalidade na Igreja, na qual caminhem juntos pastores, pessoas consagradas e famílias”.

Para Dom Solmi, o Sínodo mostra quão importante é “uma escuta autêntica e um falar com parresia, com franqueza. Neste diálogo, há diversas maneiras de pensar, complementares, sobre estes grandes temas da família e do matrimônio”.

“Neste sentido todos trabalhamos e estamos revestidos de uma responsabilidade particular”, sublinhou.

O Arcebispo de Brisbane também explicou que, no caso dos divorciados em nova união, “sim, podemos falar de pecado, porque a segunda união é adultério. Entretanto, nem todos os casos são iguais”.

“Embora toda segunda união seja adultera, são distintos um segundo matrimônio que dura e educa os filhos, comparado a um casal que vai ao fim de semana a um hotel. Não é a mesma situação. Por isso, é importante a pastoral, é importante escutar a história de cada um”.

Para fazer isso, disse, “devo sentar-me com estas pessoas que estão em situações irregulares. Esse é um processo de diálogo. Essas pessoas não vêm à Igreja e a pergunta que se apresenta é como nos aproximamos deles”.

“Não é só questão de dizer que são adúlteros, mas sim de acompanhá-los em suas experiências humanas”, destacou o Prelado australiano.