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Sínodo: divorciados recasados no centro dos últimos debates

2015-10-15 Rádio Vaticana - Cidade do Vaticano (RV) - Entre quarta-feira e a manhã desta quinta-feira foram feitos 93 pronunciamentos na Sala do Sínodo sobre a terceira parte do Instrumentum laboris. Foi o que disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, na coletiva do dia. Com a tarde desta quinta-feira deve concluir-se o debate geral sobre a terceira parte, acrescentou.

 

Um caminho específico para os divorciados recasados: um dos pontos mais delicados em discussão no Sínodo sobre a família esteve no centro dos últimos pronunciamentos de muitos Padres sinodais, tanto em Assembleia quanto no âmbito dos Círculos menores.

Foram feitas diferentes abordagens à questão. Para alguns, a premissa se fundamenta na necessidade de repropor novamente, de forma clara, os ensinamentos da Igreja sobre o matrimônio, e, por conseguinte, um ato de tutela da doutrina, vez que – foi defendido – a Igreja não tem o poder de aumentar nem de diminuir a Palavra de Deus.

Para outros, foi evidenciado que o seguir Cristo (sequela Christi) não pode traduzir-se numa exclusão permanente das pessoas dos Sacramentos – como se, foi observado, os sacerdotes fossem funcionários encarregados de fiscalizar os fiéis –, porque o distanciamento em particular da Eucaristia é considerado uma “grave privação”.

Nesse percurso foi colocado como central a possibilidade, já evocada, de identificar para os divorciados recasados um acesso não indiscriminado aos Sacramentos, mas permitindo uma abordagem personalizada, como resumido pelo Pe. Bernd Hagenkord:

“É preciso um caminho de discernimento bem estruturado para os divorciados recasados, para permitir-lhes tomar a sua decisão, em consciência. O caminho penitencial foi discutido. Esse projeto nasce do pronunciamento do Cardeal Walter Kasper, um ano e meio atrás, porque, em todo caso, o Sacramento da Penitência precede o Sacramento da Eucaristia: é chamado caminho penitencial. Foi proposta uma avaliação das situações caso por caso, e uma limitação a tal admissão para casos particularmente significativos.”

Foi também ressaltada a necessidade de uma reestruturação da pastoral familiar nas paróquias, que possa contar com a presença de associações e Movimentos e, se possível, com pequenas comunidades de famílias locais que deem apoio – ao que alguns definiram como “ministério do acolhimento” – a outras famílias feridas, com iniciativas pastorais concretas, e não baseadas em “eventos”:

“Um tema frequentemente discutido é o da exigência de uma formação coerente, de uma nova metodologia. Na catequese nota-se a exigência de abandonar a linguagem escolar que fala de ‘curso de matrimônio’, em favor de colocar-se na perspectiva do ‘estar em caminho juntos’.”

Em particular, para que a pastoral familiar seja eficaz, alguns pronunciamentos pediram um cuidado particular com os futuros sacerdotes. Muitos proveem de famílias problemáticas do ponto de vista conjugal dos pais, e se eles não forem ajudados a compreender a beleza do matrimônio cristão – foi ressaltado com lucidez –, eles, por primeiro, poderão ter problemas em relação à vocação das famílias.

Foi muito evidenciado, em particular por muitos Padres sinodais africanos e asiáticos, o tema dos matrimônios mistos, entre católicos e muçulmanos. Foi pedido que o Sínodo indique medidas que tutelem a parte católica, de modo especial as mulheres, porque em muitas circunstâncias no matrimônio com um muçulmano, é pedido à mulher que abandone a própria religião, correndo o risco de ser repudiada caso se negue a fazê-lo.

Todavia, sobre essa questão, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé evidenciou:

“Deve ser apresentado o aspecto positivo desses matrimônios, como uma possibilidade de viver o diálogo em sentido positivo. O Instrumentum deve mostrá-los não somente como um lugar de problemas, mas também como um lugar positivo de diálogo, de anúncio do amor. Certamente foram apresentadas situações difíceis, quer no contexto muçulmano, quer em outros contextos asiáticos. Consequentemente, há uma série de problemas que as Conferências episcopais, nesses casos, pedem para poder enfrentar de modo específico.” (RL)