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Carta de Amor à Igreja

 WORLDWIDE MARRIAGE ENCOUNTER

ENCONTRO MATRIMONIAL

CARTA DE AMOR À IGREJA

 Querida Mãe Igreja

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Começamos por saudar-te na pessoa daqueles que te animam e dão corpo; os bispos, os sacerdotes e todos os leigos, ou seja todo o povo de Deus.

Permite-nos uma breve apresentação em jeito de cartão-de-visita.

Somos um Movimento teu, que surgiu após os desafios lançados pelo Concílio Vaticano II.

A nossa Missão, dentro da grande comunidade que és tu, é ajudar na renovação dos sacramentos do Matrimónio e da Ordem, para que vivam plenamente uma relação responsável e íntima, proporcionando-lhes, para este estilo de vida, uma experiência católica e uma Comunidade de apoio permanente.

A nossa visão centra-se no mandamento novo de Jesus: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei»

O carisma desta tua célula de vida/Movimento, fundamenta-se em quatro itens: Acolhimento (experiência de ser acolhido, amado e respeitado); Conversão (a si mesmo, aos outros e a Deus); Redescoberta do próprio sonho e de que esse sonho corresponde ao sonho de Deus a seu respeito; Experiência de ti, Igreja como mãe, ou seja, reconhecimento da importância dos outros teus filhos na nossa própria caminhada e de nós para a caminhada dos outros.

São quatro os pilares sobre os que assenta este teu Movimento: Fim-de-Semana (FDS): diz respeito à experiência do FDS original, experiência básica que leva a escolher um novo estilo de vida; Equipas: constituído por todos os que, tendo feito uma caminhada de preparação, são dadores do FDS; Comunidade: na qual todos são inseridos após a reunião de Renovação do FDS e que abrange o Processo Ponte, os grupos de caminhada e tudo o que alimenta a vivência comunitária; Estrutura: é a organização interna do Movimento ao serviço do amor.

 

Querida Mãe Igreja,

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Queremos dizer-te que as qualidades que mais apreciamos em ti são o acolhimento a todos e a abertura com que aceitas as limitações dos teus membros e os acompanhas tanto na alegria como na tristeza.

Tu nos acolhes e nos incentivas a aprofundar a nossa relação contigo. É isto que queremos agora realizar ao escrever-te esta Carta de Amor. Fomos desafiados a fazê-lo no encerramento do trigésimo aniversário do nosso Movimento em Portugal, pelo então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

Levados a reflectir sobre a pergunta «que motivos nos devem levar a amar-te,?», encontramos alguns que, agora, partilhamos contigo.

 

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Antes de mais nada, acreditamos e amamos-te porque temos a certeza de que tu não és nossa, mas de Cristo e que este é o motivo principal da nossa fidelidade para contigo.

Em Cristo, tu encontras a tua origem, o teu fundamento e a razão de ser da tua existência. Na medida em que és de Cristo, conservas a beleza e a tua verdadeira identidade. E só n’Ele e a partir d’Ele podes realizar a tua missão no mundo.

Tu, que foste fundada por Jesus Cristo, subsistes nesta grande comunidade a que chamamos «Igreja católica», governada pelo Papa, sucessor de Pedro, e pelos restantes bispos, em comunhão com ele. És sacramento universal de salvação, ou seja, és instrumento pelo qual os frutos da redenção chegam a todos os homens mediante a acção do Espírito Santo e os sacramentos.

És, assim, o meio através do qual Deus continua a sua história de amor com cada um de nós; és o caminho onde se realiza o encontro para a nossa salvação; és o lugar onde se manifesta a tua vontade no hoje da nossa vida.

«Não temas, pequenino rebanho!» (cf. Lc 12,32). Esta promessa de Cristo dá-nos a certeza de que no teu seio sempre viveremos em paz, caminharemos seguros mesmo no meio das tentações e dificuldades; contigo não nos equivocaremos como também não se enganaram os santos que souberam fiar-se plenamente de Deus.

Uma das grandes responsabilidades em Encontro Matrimonial é fazer circular nas nossas comunidades, o Espírito Santo de amor que o Movimento promete aos casais, sacerdotes e religiosas no seu FDS.

A exemplo do que fazes connosco, querida Igreja, as comunidades esperam de nós uma resposta verdadeira às suas necessidades reais, isto é, elas precisam que estejamos ao seu serviço e não ao serviço das necessidades que às vezes construímos na nossa mente/cabeça. Precisam que criemos uma relação verdadeira com elas. E construir relação com as nossas comunidades é escutar as suas necessidades, sonhos e projectos.

As comunidades pedem-nos que sejamos pessoas, casais ou equipas que vivem o amor e a relação de casal ou de sacerdote ou religiosos/as, e que, com o nosso entusiasmo, animemos os outros a caminhar e a crescer nos verdadeiros valores e carismas do Encontro Matrimonial. Esperam, ainda, que saibamos o que significa a responsabilidade, a solidariedade e que trabalhemos verdadeiramente com amor por ela e só para ela.

                                                                                                                               

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Há um pensamento em S. Paulo, muito iluminador, que nos revela um segundo motivo pelo qual te devemos amar, Igreja, nossa mãe.

Falando aos cristãos de Éfeso, sobre qual deve ser a relação entre marido e esposa, S. Paulo coloca como modelo de comportamento a Jesus na sua relação contigo: «Cristo amou a Igreja e entregou-se a si mesmo por ela» (Ef 3,5). Não te constituiu com um acto formal, jurídico, mas sim que te gerou com as suas obras e as suas palavras, com as suas lágrimas e sofrimentos, derramando por ti, até à última gota, o seu precioso sangue.

Tu vales a cruz de Cristo. Assim o interpretaram muitos dos teus Padres que viram na água e no sangue que brotaram do lado aberto de Cristo, o teu nascimento (cf. Catecismo, 766).

Ser feliz, para nós, Encontro Matrimonial, implica estar numa relação íntima e responsável. Numa relação íntima, entre outras coisas, experimentamos: amizade, segurança, abertura, ternura e confirmação. É a experiência de nos sentirmos em casa, termos um tecto/protecção emocional acima da nossa cabeça. Numa relação responsável cuidamos da nossa vida e também da nossa vida comum. Investimos activamente numa boa comunicação para melhor a nossa relação. É a experiência de, activamente, nos entreajudarmos para nos tornarmos mais plenamente no que somos.

Quando vivemos uma relação íntima e responsável, tornamo-nos «uma só carne». É amar o outro por si mesmo sem condições, acolhendo-o e querendo-o diferente de mim. É amar a outra pessoa mantendo-me como sou, sem depender dele/dela.

É isso que realmente é construir unidade. Quando um casal se ama desta forma não há medo de dependência ou fusão. Pelo contrário, cada um pode revelar e viver a sua própria personalidade, mas acompanhado pelo outro que acredita nele/nela.

Através da construção de uma relação íntima e responsável, podemos melhorar a capacidade para viver não só essa relação, mas também todas as outras, incluindo a relação com Deus. Ao vivermos uma relação íntima e responsável, tornamos visível o amor de Deus através do amor humano. Também poderíamos dizer: o amor humano faz do amor de Deus, um amor transparente.

 

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Não foste apenas fundada por Jesus Cristo, nem basta dizer que Ele te amou até ao extremo de por ti dar a vida, mas sim que está presente em ti, vive em ti, da mesma forma que quis identificar-se com todos os homens nossos irmãos. E este é o terceiro motivo da nossa fé e do nosso amor a ti, querida Igreja.

Tu és lugar onde floresce o Espírito Santo (Catecismo 749), precisamente porque é o Espírito de Cristo quem te vivifica, quem te anima e quem te sustém. A promessa de Cristo «estarei convosco até ao final dos tempos» (cf. Mt 28.20), realiza-se de maneira concreta e visível em ti.

Sabemos, que, como católicos, não podemos dizer: «Cristo sim, a Igreja não», e que a nossa fé deve estar profundamente unida à prática. Acreditar não significa aderir a uma ideia ou a uma teoria, mas sim à própria pessoa de Cristo, com as obras e através de uma prática religiosa. Seria como dizer a uma pessoa que a amamos, mas que a não amamos com as nossas obras. Se realmente amamos alguém, se amamos a nossa família que és tu, querida Igreja, vivemos todos juntos aquilo que nos pedes.

Tu não és um somatório de indivíduos, mas um Corpo, onde todos estão juntos, nos momentos de felicidade e doença, onde ninguém deve estar só e onde a salvação de todos é para cada um motivo de entrega e oração. É viver mais para Deus e para o próximo que para nós mesmos como nos lembra S. Tiago: «Mostra-me a tua fé sem obras e eu te provarei, pelas obras, a minha fé» (cf. Tg 2,18). A minha fé e o meu amor a Deus, não podem jamais separar-se da fé e do amor que a ti devo ter, querida Igreja.

Acreditar que Tu és Santa e Católica, Una e Apostólica, é inseparável da fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo (cf. Catecismo, 750). Ou como afirmava S. Cipriano: «não pode ter a Deus como Pai, quem não tem a Igreja como Mãe».

Esta experiência do corpo acompanha-nos sempre. O corpo é verdadeiramente um milagre. Muitas vezes só damos conta do corpo quando ele está ferido ou doente. É nesse momento que sentimos que não temos a medida de fazermos tudo, que alcançamos a consciência das nossas faltas de capacidade.

Esta metáfora do Corpo é para a nossa vida em comum e para a nossa unidade profunda como homem e como mulher. Nós tornamo-nos um corpo na nossa comunicação profunda, na nossa vida sexual como casal. A nossa diferença como homem e como mulher e o nosso desejo de estar presentes um ao outro são tocadas.

Como pais, os nossos filhos, a nossa família, fazem-nos sentir a experiência de sermos como um corpo, uma célula tua, uma Igreja Doméstica. Durante o período da gravidez a criança no corpo de sua mãe já é um ser humano e vive estreitamente ligado à mãe. Esta união faz viver a criança e dá à mãe (e ao pai) felicidade.

Nas relações no seio da comunidade somos como um corpo, se vivermos a nossa diferença (diversidade), se nos aceitarmos e se integrarmos a diferença em benefício um do outro. Graças a esta unidade muita vida se revelará.

Cristo chama-nos a ser seu Corpo e a constituir o Seu corpo através do nosso serviço. Servir é uma atitude fundamental no Evangelho, mas uma atitude impopular no mundo moderno, no qual o serviço é sinónimo de prestação de serviço pelo qual é preciso pagar. Ele é-nos dado para exercer como ajuda para formar (constituir) o Corpo de Cristo e de evoluir até que encontremos a alegria pela abundância de vida. Servir é entregar-se à responsabilidade de satisfazer as necessidades reais da comunidade e não os nossos desejos. Para nós, servir é dar vida, é ser fecundos, é gerar novos filhos para ti, querida Igreja que ainda peregrinas e Igreja celeste.

Dar a nossa ajuda na construção do Corpo de Cristo, é a nossa vocação. Encorajar e fazer capazes a todos de tomarem os seus lugares no serviço concreto, é a nossa função.

 

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Tu, de facto, és nossa Mãe: Mãe boa, Mãe santa, uma Mãe com coração, porque em ti, Esposa de Cristo, se reflectem a bondade e a santidade de Deus, porque em ti e por ti, Deus actua. E consequentemente, a atitude espontânea do cristão para contigo exprime-se no amor: um amor sincero e profundo; um amor filial, cheio de confiança, de agradecimento, de fé na presença da força de Deus na pregação e nos sacramentos. Um cristão, um filho teu, nunca deve falar de ti com indiferença, e menos ainda com desinteresse, como se se tratasse, de uma realidade alheia ao próprio ser, que se olha ou critica a partir de fora; pelo contrário, da nossa Mãe que és tu, querida Igreja, falaremos com um interesse e afecto profundos, próprio de quem se refere a alguma coisa íntima, mais ainda, a alguma coisa que constitui o núcleo da própria vida.

 

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Os que fazem parte de ti são homens e mulheres que percorrem o caminho deste mundo e nos quais, portanto, se manifestam – ou podem manifestar-se – o mal e o pecado. Em todas as épocas da tua história há sombras, consequência inevitável da debilidade humana. Seria ingénuo negá-lo. Mas admiti-lo com valentia e com fé sobrenatural não é pôr em causa a tua santidade, mas reconhecer a fragilidade humana dos que de ti fazem parte. Com essa mesma sinceridade e valentia, mais ainda, com essa mesma fé, os católicos proclamam que, vencendo e superando a nossa debilidade, o poder de Deus actua em todos os momentos para manter a santidade da sua única Igreja. O mais importante em ti não é ver como os homens correspondem; é ver o que faz Deus. Tu és isso mesmo: Cristo presente entre nós; Deus que vem até à humanidade para a salvar, chamando-nos com a sua revelação, santificando-nos com a sua graça, sustendo-nos com a sua ajuda constante, nos pequenos e nos grandes combates da vida diária.

A esta presença de Cristo no teu seio, havemos de corresponder amando-te com um afecto sincero, concreto, manifestado em sentimentos, em palavras e em obras. Mas se o amor é componente essencial para desenhar a atitude cristã a teu respeito, não abrange tudo: é preciso indicar alguma coisa mais. Não só nascemos de ti, como também, somos tu mesma; não só recebemos a vida cristã de tão extraordinária e santa Mãe, como também, em virtude desse nascimento, nos incorporamos ao Corpo místico de Cristo e nos sabemos chamados a participar na tua missão. Como cristãos, somos chamados não só a agradecer a vida que recebemos, mas também a transmiti-la e a propagá-la. Desse modo contribuímos para que o Evangelho se estenda a todos os confins da terra, e a que novas gerações de homens e mulheres recebam a fé e passem a fazer parte do Corpo de Cristo, da sua Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Por isso a palavra «amor» tem que ser completada com outra: responsabilidade.

 

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A partir daqui, percebemos que, enquanto Movimento, também estamos chamados a amar-te, em primeiro lugar, através de um amor e adesão ao Papa por ser o Vigário de Jesus Cristo na terra, o sucessor de Pedro, a cabeça visível e o sinal de unidade da fé e da comunhão dentro de ti. Esta atitude não se baseia na simpatia nem nas qualidades humanas que possamos descobrir no Santo Padre, como também não se pode fundamentar na opinião das pessoas ou na imagem que dele possam difundir os meios de comunicação social, mas sim na fé e no amor ao Senhor.

Mas a mesma atitude de fé devemos ter para com os Bispos, sucessores dos Apóstolos, que ensinam em comunhão com o Papa, e com os Sacerdotes. Eles merecem toda a nossa veneração e afecto ao terem sido revestidos de tão grande dignidade e que é a de serem outros Cristos na terra, a de serem pontes da graça de Deus para os homens, a de serem partícipes dos poderes e da missão santificadora de Cristo. Não podemos deixar de referir a nossa admiração pelos Teus consagrados, padres, religiosos e religiosas, que embora tão poucos e no meio de muita incompreensão, continuam dia a dia a colocar-se nas Tuas mãos para serem instrumentos da linha da frente no anúncio da Boa Nova. Eles são como sabemos a porção mais amada pelo Coração de Jesus mas, também, e não em poucos casos, a mais necessitada.

Precisamos de viver mais próximos dos nossos bispos e dos nossos padres, brindando-os com a proximidade das nossas orações, a nossa estima e apoio, a nossa palavra e os nossos gestos; devemos procurar acudir generosamente aos seus pedidos, interessarmo-nos sinceramente por eles, rodeá-los de pequenos gestos de carinho e de amor, que tão bem nos fazem e que contribuem para criar esse ambiente de família característico de toda a comunidade cristã.

 

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Como dissemos antes, celebrámos em júbilo os 30 anos de Encontro Matrimonial (EM), em Portugal.

Ao pensar nesses trinta anos de actividade verificamos que apesar de se tratar já de uma vida adulta não somos um Movimento muito conhecido nem de massas. Contudo, tu, querida Igreja, sabes que somos gente muito activa. Semeamos de forma discreta e, como formiguinhas, trabalhamos no interior da terra (nós mesmos) aparecendo no meio de ti e na sociedade de forma discreta através da força do nosso amor de casal e com delicadeza convidando casais, sacerdotes e religiosas para viver um Fim de Semana (FDS) de Encontro Matrimonial. Alguns aceitam, e regra geral no final reconhecem ter sido importante e desafiador para a sua relação. Contudo, muitos não ousam ir mais longe porque, comunicar de forma íntima em casal ou em comunidade significa deixar cair escudos e falsas seguranças, isto é mudar (converter-se) e juntos actuar na transformação do mundo. Isso é um programa de felicidade e compromisso para a vida toda que poucos aceitam.

Já encontramos este tipo de atitude nos tempos de Jesus Cristo. Muitos O escutaram, mas poucos Lhe foram fiéis e O seguiram realmente! Nesta perspectiva, Encontro Matrimonial é um movimento messiânico adaptado aos tempos de hoje, lutando contra a desresponsabilização face à vivência do sacramento do matrimónio e à falta de compromisso na vivência dos valores cristãos.

É vivendo o Sacramento do nosso amor de casal (Matrimónio) que procuramos dar resposta ao mandamento de Jesus: “… amai-vos como Eu vos amei.”

Viver deste modo faz-nos sentir realizados como pessoas, mais felizes em casal e ajuda-nos a ser famílias dialogantes e motivadas a participar activamente na tua vida, querida Igreja, como tu bem sabes!

Escrevemos-Te esta carta para Te agradecer. Foste o que de melhor aconteceu nas nossas vida, pois através de Ti aprendemos a conhecer Jesus, o Pai e o Espírito Santo e também a nossa Mãe Maria. No Teu seio recebemos os Sacramentos que alicerçam a nossa filiação divina, saciamo-nos continuamente na Eucaristia e purificamo-nos na Reconciliação. O que mais poderíamos desejar? Mas foste mais longe na Tua generosidade, pois foi por meio de Ti que nos encontramos como casal. Também a grande maioria das nossas relações de amizade nasceram no Teu seio e se hoje sentimos o privilégio de dizer que temos amigos do coração, foste Tu, querida Igreja, que no-lo proporcionaste.

É certo que há uma desproporção muito grande entre aquilo que nos dás e aquilo que Te oferecemos, dada a nossa fragilidade e, tantas vezes, falta de fé. Mas isso nunca foi motivo para nos afastares, pelo contrário, sentimos que é pela nossa fragilidade e falhas, que refundamos o nosso amor por Ti, quando nos abres os teus braços compreensivos de reconciliação. O nosso amor conjugal e familiar tem bebido muito das “fontes de água cristalinas” que pões a jorrar dentro de nós.

Encontro Matrimonial, como movimento eclesial, é outra face da Tua pluralidade que nos surpreende positivamente, pois alimenta o nosso Matrimónio pelas três vias de presença: o diálogo, a ternura e a oração. Estas vias são um testemunho que Jesus Te passou – pois a Sua incarnação terrena foi vincada dessas formas de presença - e que hoje nos transmites através deste Movimento.

É certo que dentro da nossa experiência de vida na Igreja, que és tu, já conhecemos por diversas vezes como a imperfeição humana é destrutiva e insensível, desfigurando o Teu rosto e o rosto de Cristo, mas felizmente o Espírito que o Senhor Te entregou encontra vias de reconstrução persistentes.

 

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Enfim, seria impossível numa pequena carta como esta falarmos de tudo aquilo que és para nós e que nós tentamos ser para Ti.

Queremos, pois concluir, esta nossa singela, mas autêntica Carta de Amor, manifestando os nossos sentimentos de profunda gratidão pelo modo como nos acolhes e ajudas a crescer na relação de amor em casal ou com a Comunidade, sentimentos, igualmente, de profunda unidade e pertença a Ti pois que só contigo podemos viver unidos à Cabeça que é Cristo e a todos os membros do corpo que são os nossos irmãos, sentimentos, por último, de profunda esperança de que sempre nos ajudarás a crescer e a viver com os olhos postos na eternidade para assim vivermos em fidelidade, unidade, indissolubilidade e verdade o amor que, um dia, diante do altar te prometemos na pessoa do nosso cônjuge ou que os sacerdotes prometeram no dia da sua ordenação sacerdotal ou, ainda, que as religiosas prometeram no dia da sua Profissão perpétua.

Com muita alegria, entusiasmo e carinho,

O Movimento Encontro Matrimonial em Portugal

Fátima, Janeiro de 2014.